segunda-feira, abril 23, 2007

Se é tão bom, por que se explicar?

Recentemente as revistas do Brasil vieram com um anúncio, de página dupla, da rede americana de fast foods McDonald's. Isso não seria anormal se não fosse o conteúdo do anúncio. Nele há um longo texto explicando sobre ácidos graxos, gorduras hidrogenadas, colesterol bom e ruim entre outras coisas. Pode-se inclusive ver um vídeo ilustrativo sobre isso no site da empresa.

Bom, agora sabemos que a "refeição" mais vendida, a McOferta número 1, teve seus níveis de gorduras reduzidos em 87%! o mesmo ocorrendo com o McLanche Feliz, ou seja, as crianças de todo o mundo estavam comendo quantidades enormes de gordura, cheias de LDL (colesterol ruim) e nem sabiam disso.

Será que agora essa grande empresa resolveu ficar boazinha? É claro que não. No anúncio diz que o McDonald's pesquisa há dois anos sobre uma maneira de reduzir o colesterol ruim de seus produtos.

O interessante é que há quase 3 anos o filme
Super Size Me - A Dieta do Palhaço do diretor Morgan Spurlock, expôs a cultura do fast food nos Estados Unidos. Morgan alimentou-se, 3 vezes por dia, durante um mês nas lanchonetes do McDonald's, servindo de cobaia para provar os efeitos nocivos que esse tipo de alimentação causam.

Durante o filme Morgan consumiu o equivalente a 5000 calorias diárias. No final de 30 dias ele ganhou 11 quilos e sua massa corporal cresceu 13%, chegando ao índice 27 (excesso de peso), quando o considerado saudável é entre 19 e 25.

É obvio que a empresa partiu para a sua contra-ofensiva. Nesse caso a dita redução das gorduras trans (as que formam o colesterol ruim) é uma das ações. Mas será que apenas isso é suficiente?

Na minha modesta opinião não. O McDonald's não é a unica empresa que produz alimentos que fazem mal à saúde. Até a pouco tempo consumiamos alimentos com transgênicos e ninguém sabia disso. Foi preciso uma grande mobilização da sociedade civil organizada para que a lista dos produtos que contém transgênicos se tornasse pública. Aqui vale ressaltar o trabalho desenvolvido pelo Greenpeace.

Recentemente, no dia 8 de março, uma manifestação defronte ao McDonald's, em Caxias do Sul (veja as fotos) , tentou levantar a discussão sobre a soberania alimentar. O leitor desse texto pode perguntar: Mas por que o McDonald's? Poruqe ele é um símbolo desse tipo "refeição". Esse é o preço que se paga pela liderança. É o custo do seu faturamento milionário, ou seja, virou vitrine.

Todos as empresas de fast foods produzem alimentos que fazem mal à saúde. Mas o McDonald's produz em uma escala que faz muito mais mal. Um argumento, falho, é que ele traz empregos. Mas quantos postos de trabalho são fechados de pequenos restaurantes, lancherias e similares que não conseguem suportar a concorrência?

Se é tão bom não precisaria tanta progranda para provar. Pensem bem nisso.

domingo, fevereiro 11, 2007

'Sim' vence plebiscito em Portugal

Como eu tinha falado num post anterior, Portugal realizou um plebiscito sobre a possibilidade de interrupção da gravidez até a décima semana de gestação.

Era a terceira vez que esse assunto iria para plebiscito em Portugal. Em nenhuma delas foi alcançado o quorum para que o resultado fosse vinculativo, ou seja, tenha que ser aceito pelo governo. Na votação anterior inclusive o Não ganhou.

Desta vez o que foi diferente é que o SIM venceu, mas a abstenção foi alta (56,39%) o que impossibilita que a lei tenha efeito imediato. O que acontecerá agora é que o Parlamento Português terá que votar a lei e, se aprovada, passará a valer.

O Partido Socialista deverá ser um dos partidos que apresentará esse projeto de lei, juntamente com outros partidos do Bloco de Esquerda. A expectativa é que no parlamento a lei obtenha dois terços de votos favoráveis. Ainda haverá uma espera antes que o projeto possa ser apresentado (4 meses no mínimo).

Aprovando essa nova legislação Portugal deixa de considerar crime abortar até a 10ª semana e esse procedimento poderá ser realizado na rede de saúde evitando as práticas clandestinas que vitimavam centenas de mulheres. Segundo o Primeiro Ministro portugues, José Socrates, "Esse resultado é inequívoco. Temos o dever de respeitar o desejo do português", declarou o primeiro-ministro. "A lei será discutida no Parlamento", prosseguiu. "Nosso interesse é combater o aborto clandestino."



Esse foi o resultado do plebiscito (dos votos válidos):
SIM: 59,25%
NÃO: 40,75%

A simplicidade faz a festa

Domingo de manhã, tempo nublado, acordar cedo. Parecia um típico programa de índio (nada contra os brasileiros nativos).

Minha missão. Ir para a Linha Araripe entre Nova Petrópolis e Gramado (de ônibus) para fazer a cobertura da 34ª Festa do Figo, para o Jornal Gazeta Opinião. Fazer o quê? A pauta precisava ser feita e não sobrou mais ninguém - sabe quando alguém pede que um voluntário dê um passo a frete e todos mundo dá um passo para trás? parecido.

Vou lá, afinal de contas não é tão ruim assim. A matéria provavelmente vai render. Primeiro desafio. Chegar a Linha Araripe. Até aí não foi difícil era só perguntar para o motorista do ônibus, devia ter confiado mais na popularidade da festa, porque na parada que eu desci praticamente esvaziou o ônibus.

Chegando lá vamos ao trabalho. O que é a Festa do Figo? É uma festa realizada por duas comunidades de Nova Petrópolis, Linha Araripe e Linha Brasil. A festa iniciou em 1973 e é sempre realizada de forma alternada. Conversando com o presidente da Festa, Guido Thiele, ele me conta que a festa deixou de ser realizada na Linha Araripe por alguns anos por conta de não haver espaço suficiente no salão da comunidade (aquele que aparece na foto com a exposição). Nada que a construção de um pavilhão (onde é servido o almoço) não resolva o problema. A expectativa do presidente é que cerca de 8 mil pessoas visitem a festa nos dois dias (10 e 11/02). Meta fácil de ser alcançada já que a fila do almoço durou até às 3 da tarde.

A exposição de figos e outros produtos agrícolas não é muito grande, apenas as variedades vencedoras são expostas, mas se inscreveram 368 expositores nas 30 categorias de premiação. Comenta-se, não tenho a precisão dos dados, que a produção de figo em Nova Petrópolis alcance a 300 toneladas por ano, a maior parte comprada pela Cooperativa Piá.

Mas a festa não é só figo. Existe artesanato, máquinas agrícolas, bandinhas alemãs (era esperado) e mais uma série de atrações. O espaço da feira é ínfimo. Mas isso não impede que as pessoas comprem o ingresso de R$ 3,00 (R$ 10,00 se participar da rifa de um carro e 9 TVs). Mas o detalhe que chama a atenção é a simplicidade da estrutura da festa.

Ela é toda feita pela comunidade. Trabalharam nela mais de 100 pessoas. Na foto do almoço dá para ver quantas gente tá trabalhando (todos de camisa verde). Acho que estamos começando a ficar acostumado com mega estruturas e nos assombramos com atividades mais simples. E nesse caso simples não é ruim. É bom, ou seja, é o necessário.

Buena vou agora escrever a matéria para publicarmos no Gazeta Opinião.

As fotos:
1ª- Rainha e as princesas da Festa do Figo
2ª - Almoço servido aos visitantes
3ª - Exposição de produtos agrícolas
4ª - Bandinha que tocou o dia inteiro.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Portugal tem plebiscito sobre aborto

No próximo dia 11 de fevereiro os cidadãos e cidadãs portugueses irão as urnas em um plebiscito que está movimentando o país. Eles deverão responder a seguinte pergunta: Concorda com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, se realizada, por opção da Mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimentos de saúde legalmente autorizado?

É a segunda vez que esse tema entra em discussão em Portugal. Há alguns anos o quórum mínimo não foi alcançado. Em 1998 somente 32% dos eleitores compareceram as urnas. Isso não deve se repetir neste ano.

Os partidários do Não realizaram um grande ato público no dia 1° de fevereiro. Os principais grupos de defesa contra o aborto são os partidos conservadores e a igreja católica portuguesa que tem um peso político considerável.

Já os partidários do SIM, os partidos de esquerda, o primeiro ministro português, profissionais da saúde, entre outros, fazem uma forte campanha para que o quorum seja atingido.

O principal argumento para que o SIM vença é que isso irá combater o aborto clandestino que é feito por milhares de mulheres portuguesas todos os anos. Desde 1998, 18 mulheres foram condenadas por essa prática. O que elas tinham em comum? Todas eram pobres.

Conheça um pouco mais do plebiscito português acessando esse site.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Quem disse que o Orkut não tem utilidade?

Essa notícia é para aquelas pessoas que não entendem por que 41 milhões de pessoas são usuárias do Orkut. Essa matéria foi originalmente publicada no site da Info Online e é muito interessante.

Tudo começou quando a mãe da Cacilda Ribiero, Carmen, sofre um acidente e teve que ficar diversos dias hospitalizada. Seus vizinhos, um casal sem filhos, sensibilizados ficaram cuidado da menina de então dois anos. Quando Carmen saiu do hospital o casal se recusou a devolver a Cacilda à sua mãe, mudando-se sem deixar rastro.

Cacilda foi criada como filha legítima até os 15 anos quando seus pais se separaram e lhe contaram que era adotada, mas dizendo que a mãe lhe havia abandonado. Na ocasião a mãe "alternativa" mostrou uma foto de Carmen com seus dois irmãos e uma dedicatória. Como tinha o nome e o sobrenome foi possível confirmar, pelo cartório, sua origem. Mas por achar que tinha sido abandonada não teve interesse em procurar sua família natural.

Foi então que sua neta Larissa, em novembro passado, encontrou Carlos Barreiro no Orkut. Os dois começaram a pesquisar seus sobrenomes até que descobriram que eram primos. Um mês depois Cacilda foi para São Paulo passar o Natal e o Ano Novo e conhecer, também, seus irmãos, sobrinhos e sobrinhos-netos, 72 anos depois.

Na foto Cacilda a direita, com seus "irmãozinho" Zezinho e a cunhada Lina.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Pagú

Rita Lee e Zelia Duncan cantam uma música, uma bela música diga-se de passagem, que faz muito sucesso. Pagu que faz parte do álbum MTV ao Vivo tem um dos estrofes que diz o seguinte:

Sou rainha do meu tanque

Sou Pagu indignada no palanque

Fama de porra louca...tudo bem

Minha mãe é Maria ninguém

Mas acredito que passa desconhecido quem foi Pagu. Pagu é o pseudônimo de Patrícia Rehder Galvão (1910-1962). Ela foi escritora e jornalista, militante comunista e teve grande influência no movimento modernista iniciado na década de 20.

Quem lhe deu o apelido de Pagu foi o poeta gaúcho Raul Bopp. Ela já era uma mulher avançada para época, principalmente por ser adepta de algumas "extravagâncias" (lembrem-se que estamos falando da década de 20/30), como usar blusas transparente, fumar e falar palavrões. Nada condizente a sua origem familiar de ricos produtores rurais de café.

Em 1930 ela casa-se com Oswald de Andrade, depois dele se separar de Tarsila do Amaral (imaginem o escândalo). Militante do Partido Comunista é presa pela primeira vez por participar de uma greve de estivadores em Santos. Essa seria a primeira de suas 23 prisões.

Em 1940 rompe como o Partido Comunista, passando a defender um socialismo de linha trotskista. No mesmo ano casa-se com o jornalista Geraldo Ferraz e passa a atuar no jornalismo. Na década de 60 ela é acometida de câncer, viaja para Paris para um cirurgia que se mostra improdutiva, de volta ao Brasil morre em 1962.

Pagú publicou os romances Parque Industrial (1933) que é considerado o primeiro romance proletário do Brasil. Esse livro foi publicado com o codinome de Mara Lobo para fugir da perseguição política e A Famosa Revista (1945) em colaboração com Geraldo Ferraz. Escreveu também contos políciais e com seu trabalho junto a grupos teatrais traduziu e introduziu autores desconhecidos no Brasil da época como James Joyce.

No ano de 1988 a diretora Norma Benguell dirigiu o filme Eternamente Pagú sobre a vida da escritora.

Em 2004 uma catadora de lixo de Santos, Selma Morgana Sarti, achou fotos e documentos originais da escritora e do jornalista Geraldo Ferraz, seu último companheiro. Entre os achados, estava uma foto de Pagu, com dedicatória para Geraldo (imagem acima).

Outra curiosidade sobre a sua vida é que numa viagem que ela fez à China, Pagu recebeu do Imperador
Pu-Yi (retratado no filme o Último Imperador) sementes de soja que foram repassadas para o cônsul brasileiro em Cobe, Japão, transformando-se nas primeiras sementes de soja introduzidas no Brasil.

Microsoft lança o Windows Vista, e daí?


Um grande estardalhaço agitou o mercado de informática essa semana. A Microsoft lançou seu novo sistema operacional, o Windows Vista. Após 5 anos o Vista era esperando com grande ansiedade tanto pelas empresas de hardware (o Vista exige tanto capacidade de processamento que não roda na maioria dos microcomputadores), software (já que é o sistema operacional mais usado no planeta) e até para os camelôs (cópias "genéricas" do Vista custavam US$ 1 na Malásia e R$ 20,00 aqui em Caxias do Sul).

Mas vale a pena você migrar para o Vista? Os testes feitos pela infoexame demonstram que o Vista é mais lento que o XP principalmente se seu micro tiver menos de 1GB de memória RAM. E tem mais. Somente a versão mais cara do programa vem com todas as novidades incluídas e para rodar as funções como o Aero é necessário pelo menos 2GB de RAM e uma placa aceleradora de vídeo de 128 MB, no mínimo.

Em uma loja a versão mais barata do Vista saí em torno de R$ 400,00 e a versão mais completa por cerca de R$ 1.000,00. A expectativa da industria de computadores é que a exigência maior de hardware faça com que as pessoas façam upgrades de seus microcomputadores. Como o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal contempla uma série de incentivos fiscais às empresas de computadores, um equipamento com capacidade de rodar o Vista chegaria ao mercado custando cerca de R$ 2.800,00.

Se você não tem escolha e tiver mesmo que usar o Windows não sai do XP ou do 2000. A opção pelo Vista ainda não é uma boa alternativa para a maioria dos equipamentos do mercado. Sem falar que a versão ainda vai passar por várias atualizações antes de ficar bem estável.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Take on me



Os sites de compartilhamento de vídeo podem nos trazer surpresas, na maioria das vezes, até nostálgicas. No google vídeo encontrei esse vídeo-clipe. Talvez algumas pessoas que estejam lendo isso agora não lembrem dele, mas devem lembrar da música.

A música é Take On Me, da banda nourueguesa A-Ha. A música foi composta em 1985 e tem uma forte presença do sintentizador, bem na tendência da época. O legal no clipe é a mistura de animação, em preto e branco, com personagens reais.

A história do clipe começa com uma jovem, em um café britânico, que está lendo uma história em quadrinhos sobre corridas de motos, até que o piloto vencedor chama ela para a "dentro" da história. O resto é só acompanhar o vídeo.

A música Take On Me alcançou o primeiro lugar nas paradas nos Estados Unidos e Austrália e o segundo na Inglaterra. É um hit dos anos 80 sem dúvida.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Youtube dividirá parte dos lucros com usuários

Com mais de 70 milhões de acessos mês e recentemente adquirido pela Google por 1,65 bilhões de dolares, o Youtube - maior site de compartilhamentos de vídeo da internet - vai dividir com seus usuários os lucros gerados com publicidade.

A informação foi dada por Chad Hurley, um dos fundadores do site, durante Fórum Econômico Mundial, em Davos. Para Chad a idéia da empresa é premiar a criatividade. Logicamente apenas os vídeos originais serão remunerados e esse valor dependerá da popularidade. A companhia estava evitando essa pratica por não considera-lá uma boa forma de criar uma comunidade na internet.

O Youtube não será o primeiro site de compartilhamento de vídeos a dividir com seus usuários os lucros. O site Metacafe paga US$ 5 a cada mil exibições do vídeo no site com um pagamento mínimo de US$ 100. Recentemente o vídeo Matrix - For Real do especialista em artes marciais Joe Eigo faturou US$ 25.000 sendo visto por mais de 5 milhões de pessoas.

Essa tendência começa a ser seguida por muito cineastas amadores que vêem no site uma oportunidade de captação de recursos para seus projetos. Foi o que fez Jordan Livingston, um cineasta de 24 anos de São Francisco. Ele publicou recentemente dois trabalhos no site Dovetail.tv. Fundado em 2006 por Jason Holloway, ele é direcionado para cineastas iniciantes. "Esses caras querem ser o próximo Martin Scorcese, e você não consegue isso ficando ao lado de vídeos feitos por celulares", disse Holloway numa entrevista para o Globo Online.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Para quem serve a pirataria?

Recentemente em um grupo de discussão entrou-se no debate sobre pirataria. No caso pirataria audiovisual. A legislação brasileira (lei 9.610/98) proíbe a reprodução, sem autorização, de qualquer obra escrita, sonora, visual ou audiovisual. Portanto se você baixar uma música pela internet pelo kazaa ou e-mule você estará cometendo um crime, mesmo se não obtiver nenhum lucro sobre isso. O mesmo vale para cópia de um CD para seu mp3 player (mesmo que tenha comprado o CD). Existe uma proposta de alteração dessa lei feita por um grupo de entidades, entre elas a FGV (para conhecer mais sobre a lei acesse o site). Mas eu acredito que precisamos ir mais fundo na discussão sobre a pirataria. Portanto convido ao leitor(a) para um breve histórico sobre a pirataria....

Um pouco de história

Pelo menos desde o século XV o Estado ou a iniciativa privada utiliza o termo pirataria para denominar a apropriação, sem pagamento de royalties, de produtos, livros, etc. O termo pirataria surge para designar indívidudos despatriados que tomavam posse de mercadorias transportadas pelo Estado ou por seus designatários, nesse caso era o sentido marítimo do termo. Contudo ser ou não ser pirata dependia do ponto de vista. Um exemplo é distinção feita para corsário. Corsário era um indivíduo que trabalhava para alguma nação, e mais pirataria era um termo usado pelos países europeus aos ataques de seus navios, mas não aos mercadores locais, ou seja, defendia seu direito de saquear os pequenos mercadores locais. Em resumo. A diferença entre pirata e corsário era que este ultimo tinha a concessão do estado para saquear.

O combate à pirataria no ramo do conhecimento surge nos séculos XVI e XVII, quando os venezianos e os inglês davam monopólio de reprodução de obras escritas a determinados editores e ao mesmo tempo, impunham um alto grau de censura. Já no século XIX o termo pirataria foi utilizado para designar quem reproduzia e vendia livros sem o pagamento de royalties, principalmente nos países que não tinham legislação para isso.

Interessante notar que após a independência americana a pirataria de trabalhos estrangeiros era estimulada com a alegação de que isso encorajaria o letramento do público e encorajaria a produção intelectual local.

Uma tentativa de regramento foi iniciada em 1886, quando 10 países assinaram a Convenção de Berna (os Estados Unidos só assinariam em 1988) que garantia respeito mútuo ao conteúdo intelectual e industrial produzido por um indivíduo em um país por todos os outros. Ela se tornou a base para a criação, em 1967, da
World Intellectual Property Organization - WOPI (Organização Mundial de Propriedade Intelectual), um organismo da ONU para monitorar, desenvolver e promover a "propriedade intelectual".

O avanço da tecnologia faz com que a cópia de livros seja um negócio bastante rentável na década de 60 bem como com o advento das fitas cassetes nos anos 70 possibilitou a reprodução dos LPs. Com o surgimento dos primeiros gravadores de vídeo faz com que a indústria fonográfica e audiovisual pressionasse o governo americano para a aplicação de leis mais duras quanto a reprodução de músicas e filmes. Inclusive é desse período um processo movido pelos estúdios de cinema contra os fabricantes de vídeo-cassete alegando que os equipamentos estimulavam a pirataria. Foi a última vez que a tecnologia ganhou do poder econômico.

Mais recentemente a troca de arquivos digitais fez tremer novamente a indústria cultural. O Napster (programa compartilhador de arquivos na internet) respondeu judicialmente por "facilitar o trânsito de conteúdo que violava as leis de direito autoral". No acordo a empresa se comprometeu a adequar filtros para bloquear o conteúdo com copyright. Mas o compartilhamento de conteúdo não acabou, muito antes pelo contrário só aumentou.

As conseqüências para a cultura de um modo geral e para as empresas da pirataria é tema para um próximo artigo.


quarta-feira, janeiro 24, 2007

Sindicatos usarão Copa-2010 para defender 'trabalho decente’

Grandes acontecimentos esportivos, como Copa do Mundo e Olimpíadas, deixam marcas profundas nas cidades onde se realizam. Para receber os esportistas, turistas e imprensa internacional grandes obras de infra-estrutura são necessárias nos aeroportos, transporte público, ginásios, estádios, hospedagem, etc.

Para a Copa do Mundo de 2010, a primeira que será realizada na África, estima-se que serão investidos US$ 2 bilhões. O início das obras está marcado para este mês. Essa é uma esperança para milhares de pessoas que conseguiram emprego e fonte de preocupação para as entidades sindicais sulafricanas. O principal receio das entidades é que as empresas contratadas para as obras utilizem contratos precários e sem garantias sociais para maximizarem seus lucros.

Essa questão foi discutida nesta terça-feira (23) em um seminário do Fórum Social Mundial, realizado no Quênia. Representantes de sindicatos de diversos países, inclusive da África do Sul, aprovaram um memorando com uma série de reivindicações dos trabalhadores para ser entregue à Fifa. Um representante da Federação Queniana de Futebol, que acompanhava o evento, recebeu o documento e comprometeu-se a encaminhá-lo à Fifa.

Lido em voz alta no seminário, o memorando alerta que os sindicatos estão preocupados com a situação trabalhista dos operários, e pedem que a Fifa e o Comitê Organizador da Copa assumam responsabilidades. O texto defende ainda a abertura de diálogo entre a Fifa e sindicatos; que os comitês locais de trabalho tenham voz junto aos organizadores; apuração de possíveis acidentes; garantias de proteção social para os trabalhadores; o compromisso de que a geração de empregos será maximizada para jovens e mulheres; e que programas de capacitação sejam implementados.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Paraísos fiscais e guerras são temas de debate no FSM

Taxar os paraísos fiscais pode ser uma alternativa para combater a evasão de divisas dos países e abastecer fundos de cunho social. Essa foi a proposta debatida no seminário "Taxação internacional: uma ferramenta para governar a globalização e financiar o desenvolvimento”, organizado pela Fundação Friedrich Ebert Stiftung, da Alemanha.

Diante das inúmeras dificuldades políticas e econômicas para criar uma taxa que incida sobre os fluxos financeiros, ao modelo da taxa Tobin, a idéia é criar uma taxação sobre os paraísos fiscais, essa é a opinião do Secretário Geral da Presidência, Luiz Dulci um dos participantes do debate.“Talvez uma parte da opinião pública que não apóie iniciativas como a taxa Tobin poderia apoiar uma sobre os paraísos fiscais”, explicou o ministro.

Paraísos fiscais são usados por grandes empresas nacionais, multinacionais e milionários para fazer evasão de divisas, e fazem isso com o apoio de bancos e empresas de fachada.

Uma iniciativa no plano internacional que começa a dar resultados e a taxação de bilhetes aéreos. França, Brasil, Chile, Espanha, Alemanha, Noruega, Luxemburgo e Chipre já assumiram compromisso de fazer essa cobrança, que nasceu nas discussões das edições anteriores do FSM. A França, único país onde iniciou a taxação cobra 1 euro nos vôos doméstico na classe econômica e 10 euros na executiva ou primeira classe, nas viagens intercontinentais a taxa é de 10 e 40 euros respectivamente. O dinheiro arrecadado, apenas pela França, soma 200 milhões de euros e abastece um fundo da ONU destinado a compra de medicamentos.

Guerras não tão cívis
O continente africano e vítima de inúmeros conflitos atualmente, mas qual a origem de tantas guerras? O caso mais recente da Somália trouxe representantes da sociedade civil do país para o VII Fórum Social Mundial para compartilhar tudo o que pensam em relação à guerra que aflige o país africano. Os militantes de entidades somalis presentes no encontro são unânimes na rejeição da caracterização do conflito bélico como uma mistura de disputa étnico-religiosa.

A questão interna é apenas um pretexto, afirma Jama Mohamed, da Organização Somaliana para o Desenvolvimento Comunitário - Somalian Organization for Community Development (Socda). “As movimentações internas foram o suficiente para atiçar os interesses dos poderosos”, emenda.

O principal interessado, segundo o ativista, seria os Estados Unidos. A posição geográfica da Somália (no Golfo Pérsico, próximo as rotas dos países produtores de petróleo) e o próprio controle do petróleo são os motivos. As empresas americanas tem a concessão para a exploração dos recursos mas estão constantemente ameaçadas pelo crescimento da China.

Convém, hoje, aos EUA, na visão de Mohamed, manter o conflito e a instabilidade no país africano vizinho do Quênia, sede da sétima edição do FSM. Para tanto, eles incentivam países vizinhos como a Etiópia e o Quênia a tomar parte no processo.

Jesus Cristo cantando "I will survive"



O vídeo, hilário, aqui em cima já foi visto por milhões de pessoas no
Youtube e no Google Video. O interessante é que quase ninguém fala do diretor do vídeo. Javier Prato é o diretor desse clipe. Ele nasceu em 1977 em Buenos Aires e com 11 anos viajou com a família para os Estados Unidos. No último ano do colegial iniciou sua carreira de cineasta. Ele terminou apenas os dois primeiros anos do Cinema Studies at LACC (Los Angeles City College).

Javier já dirigiu diversos curtas metragens, comerciais e vídeo clips. Seu projeto atual é o filme “Jesus Christ! The Second Coming", onde o clipe acima é um pequeno trecho do filme, mas foi o que ganhou maior repercursão mundial.

Vale a pena dar uma passadinha no site do projeto do filme.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Marcha de abertura do VII Fórum Social Mundial



Esse vídeo dura cerca de 4 minutos e foi postado por owukori. Dêem uma olhada no Blog dele também.

Lembrando. Blog sem comentários não tem graça. Comentem.

Inicia a sétima edição do Fórum Social Mundial


Nairobi, Quênia, é a cidade anfitriã da sétima edição do Fórum Social Mundial (FSM). O encontro que reúne anualmente entidades e ativistas do mundo inteiro, ocorre pela primeira vez na África.

Do último sábado até o dia 25 Nairobi será o centro dos mais heterogêneas idéias que, há sete anos, tentam fazer frente aos impactos do neoliberalismo.

O Fórum iniciou no sábado pela manhã com uma marcha pelo subúrbio de Kibera, um dos maiores bairros da África, e terminou no parque Uhuru (liberdade na língua swahili).

É a primeira vez que o FSM é organizado no continente mais pobre do planeta. Com o lema "Outro mundo é possível", o FSM ocorre desde 2001 em contraponto ao Fórum Econômico Mundial que acontece na cidade suíça de Davos e reune, anualmente representantes do poder internacional.

O FSM define-se como "um espaço de encontro que favorece a construção internacional de alternativas ao pensamento único neoliberal".

Nairobi completerá sete anos de uma inciativa que nação em Porto Alegre, em 2001. A capital gaúcha ainda sediou as edições de 2002, 2003 e 2005. Em 2004 a Cidade de Mumbai (Índia) foi a primeira a hospedar o FSM fora do Brasil. Em 2006 ele foi policentrico sendo realizado nas cidades de Karachi (Paquistão), Caracas (Venezuela) e Bamako (Mali).

São esperadas para esse ano mais de 100 mil participantes. Estão inscritas 1481 organizações de 101 países e serão realizadas 1315 atividades.

A foto é de um grupo chamado Nairobi Vlog. É bem legal conferir as outras fotos do FSM no site.

PS: Blog tem graça se quem lê postar comentários. Por favor postem.

A Borges o que é de Borges, ou nem tanto


Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo do que tenho sido, na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Estes são os três primeiros versos de um dos poemas que mais circula pela internet. O texto de nome "Instantes" é atribuído ao poeta Jorge Luis Borges, mas a autoria teria sido dada de maneira indevida ao poeta argentino por Elena Poniatowska.

A partir daí uma série de estudos vem sendo feitos para tentar descobrir a real autoria do texto.

Pela internet também circula a versão de que ele seria de autoria de uma poetisa americana de nome
Nadine Stair. O problema é que existem dúvidas da existência dessa autora. Outra hipótese nos leva a um texto escrito em 1953 pelo cartunista americano Don Herold, na revista Reader’s Digest.

Seria, então, que a origem do poema fosse um plágio de uma obra com copyright? Ninguém sabe ainda. É mais difícil não atribuir um autor do que dizer quem é.

Acredito que o mais importante, apesar do equivoco da autoria da poesia, é que muitas pessoas começaram a ter contanto com a obra de Borges através do
Instantes.