sexta-feira, julho 22, 2011

Como fazer download sem precisar cadastrar seu celular

Você já deve ter enfrentado essa situação. Procura um filme ou música para baixar e quanto clica para fazer o download aparece uma tela pedindo para cadastrar o seu número de celular.

Na maioria das vezes é só aguardar um pouco que, no rodapé da página, vai abrir um link para fazer o download. Mas isso, ou nem sempre acontece, ou é muito demorado. Agora os seus problemas acabaram.

Conheça o http://www.antiprotecao.com.br/

Como funciona:

1 - Primeiro é necessário encontrar o site para o download. Se ele abrir a página para cadastrar o número do celular, copie o endereço dessa página.

clique na imagem para aumentar

2 -Copie o link e abra o site http://www.antiprotecao.com.br/. Insira o link na janela central e clique em "baixar"
clique na imagem para ampliar

3 -Pronto. Vai aparecer o link original (sem a proteção), agora é só clicar nele para poder fazer o seu download.
clique na imagem para ampliar

Fácil né?

Deixe seu comentário e compartilhe com seus amigos.

quinta-feira, julho 21, 2011

Uma pergunta a Dom Zeno

A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos - Atea - começou a veicular na capital gaúcha alguns outdoors contra a discrimição que os ateus sofrem. No outdoor abaixo, chama-se "Religião não define o caráter".

Os grupos que são vítimas de preconceito sempre sofreram com a afirmação de que são imorais: é o caso de mulheres, negros, homossexuais, e particularmente forte no caso de ateus. A palavra "ímpio", por exemplo, significa tanto "ateu" como "cruel" ou "que ofende os pais, a moral, a justiça" - assim como, no vocabulário do racista, "de preto" é sinônimo de ruim. Reza o preconceito que religiosidade significa bondade e ateísmo significa maldade. O anúncio pretende apontar como ambos os estereótipos são falsos.
 O jornal Pioneiro fez uma minúscula notinha sobre o fato, talvez porque não esteja acontecendo em Caxias a campanha, mas nela há uma fala do presidente da regional gaúcha da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Zeno Hastenteufe. Apesar dele considerar legitima a manifestação, ele diz que discorda em partes. "Todos têm direito de se expressar, só duvido que Hitler fosse homem de fé no momento em que cometeu aquelas atrocidades", disse Hastenteufe.

Eu também quero discordar de Dom Zeno. Gostaria que ele respondesse se essas pessoas não eram homens de fé ao cometer as atrocidades que realizaram, ou se omitiram de condenar:

  • Papas Urbano II, Eugênio II, Gregório VIII e Inocêncio II por promoverem as Cruzadas, que mataram milhares de pessoas, muitas delas apenas por serem judeus;
  • Todos os Papas, cardeais e bispos que promoveram a Inquisição entre os séculso XII e XVIII que condenaram milhares de pessoas a morte, muitas delas queimadas vivas;
  • Papa Clemente VIII que condenou a fogueira Giordano Bruno por sua defesa que a Terra girava em torno do Sol e que poderia haver vida em outros planetas;
  • Papa Urbano VIII que condenou Galileu Galilei por heresia, por dizer que a Terra girava em torno do Sol. Galileu só não morreu porque fez uma retratação pública;
  • Papa Pio XII que silenciou frente as atrocidades cometidas aos judeus pelos Nazistas e as atrocidades cometidas por Mussolini na Itália.
Esses são apenas alguns exemplos de atrocidades cometidas pela Igreja Católica contra pessoas que divergiam da dominação ideológica que por ela era exercida.

E então Dom Zeno, eram homens de fé?

Veja o site da Atea

quarta-feira, julho 13, 2011

Passando seu twitter para o português

Confeso que meu inglês é tenebroso, mas para os usos mais comuns da internet ele até que dá para o gasto. Não tive muitas dificuldades para compreender o Twitter, mesmo em inglês. Mas sei que esse é um problema para grande parte dos brasileiros.

Já faz pouco mais de 1 mês que o Twitter teve sua interface traduzida para o português. Segundo a empresa a adição da nossa língua deu-se porque os usuários brasileiros, em apenas 3 dias, traduziram toda a interface utilizando a ferramente de tradução coletiva disponibilizada pelo próprio Twitter.

Agora você já pode passar seu Twitter para o português. É bem fácil:

1 - Vá em Settings (menu que aparece quando você clica na setinha do lado do seu nome):


2 - Depois no campo "Language" escolha a opção "Portuguese - Português"



3 - Vá até o rodapé da página e clique em "Save". Vai abrir uma caixa pedindo sua senha. Digite ela, é apenas uma questão de segurança.

Pronto seu Twitter já está em Português. Aproveite isso e twitte essa dica.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Atenção você foi enganado, de novo

Raul Seixas deve ter pronunciado uma das frases mais célebres e verdadeiras da história do Brasil e ela é o resumo da grande mídia hoje. O roqueiro disse na música "Cowboy fora da lei":

-- Eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz.

Esse parece ser o lema da velha mídia brasileira. Que a mídia não é imparcial isso todo mundo já deveria saber, mas pelo menos uma coisa ela deveria preservar: a objetividade.

Entretanto no desespero para criar um 3º turno das eleições presidenciais, os "veículos de comunicação". Mais um elemento dessa disputa foi uma petição posta em votação e aprovada no Parlamento Europeu no último dia 20 de janeiro, que pedia que o governo brasileiro reconsiderasse a não extradição de Cesare Battisti para a Itália . O primeiro meio de comunicação brasileiro a noticiar isso foi o Estadão na sua página da internet. A matéria é muito semelhante aquela feita pela AFP, com a diferença que o Estadão retirou a informação dos grupos que votaram contra, ou seja, os verdes e os comunistas. A partir daí os outros veículos copiaram a informação do próprio Estadão ou da AFP. E noticiaram com grande destaque que a petição foi aprovada por 83 votos a favor, 1 contra e duas abstenções.

O que nenhum veículo de comunicação falou é que o Parlamento Europeu é composto por 736 membros, ou seja, somente 11%, a maioria parlamentares italianos, estavam presentes para votar a petição.

Abaixo a composição do parlamento

Fonte: http://www.europarl.europa.eu/members/expert/groupAndCountry.do?language=PT

O que mais me choca é que a imprensa brasileira não está nem aí para a verdade. Eles querem vender cada vez mais a "sua verdade" independente dos fatos. Onde fica a verificação das informações? Até mesmo o Pioneiro, de Caxias do Sul, noticiou isso, sem verificar os fatos. Hoje estamos envoltos em um jornalismo do "copiar" e "colar". Duas ou três empresas de comunicação nacionais geram conteúdo e todos os outros veículos copiam. Isso é lamentável sobre qualquer ponto de vista.

E onde fica a verdade? Sobra somente a mídia digital mostrar o outro lado da informação. É por esse motivo que a internet tem sofrido, por parte da direita brasileira, diversos ataques a sua liberdade, como é caso do AI5 digital do Senador Azeredo do PSDB.

domingo, janeiro 16, 2011

A exploração da tragédia: o caso Huck

Encontrei a postagem abaixo o blog do Nassif e achei fundamental reproduzir. Não que o meu blog tenha mais audiência que o dele, mas é fundamental que mais e mais lugares publiquem isso para que a informação se espalhe o máximo possível.

A Globo é campeã em se aproveitar de tragédias. Na verdade ela se alimenta da desgraça humana, apenas de não ser a única. Agora mesmo, enquanto eu escrevo isso, o Fantástico faz reportagens e mais reportagens sobre os acontecimentos no Rio de Janeiro.

A postagem orginal está aqui:


A marota forma de ajuda de Luciano Huck

Sinceramente, não sei o que pensar sobre isso. Peço ajuda.

Luciano Huck é sócio do Peixe Urbano, um site de compras coletivas. Em dezembro último, o apresentador da Globo usou o Twitter para tentar bater o recorde de vendas de cupons no site:

"O apresentador Luciano Huck – agora sócio do site de compras coletivas Peixe Urbano - usou pela primeira vez o Twitter para impulsionar a venda de cupons de desconto – e quase conseguiu o que queria: superar o recorde de vendas do site."

http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/12/08/luciano-huck-ja-usa-o-twitter-para-vender-seu-peixe/

Ontem, ele postou esta mensagem no Twitter:

Luciano Huck "Quer ajudar, e muito, as vítimas da serra carioca [sic]. Via @PeixeUrbano, vc compra um cupom e a doação esta feita.

A compra dos cupons, segundo o site, reverterá em benefício de duas ONGs que estão ajudando as vítimas das enchentes.

Parece bonito, mas não é.

Primeiro, é necessário ir ao site do negócio de Luciano.

Depois, é preciso se cadastrar no site.

E então comprar um ou mais cupons de R$10,00.

Ganha Luciano porque divulga o seu negócio (mais de 7.000 RTs até agora), cadastra milhares de novos usuários em todo o Brasil, familiariza esses usuários com os procedimentos do site, incentiva o retorno e aumenta absurdamente o número de cupons vendidos – alavancando o Peixe Urbano comercial, financeira e mercadologicamente.

Além do ganho de imagem por estar fazendo um serviço público (li vários elogios nos RTs). Sabe-se lá como será contabilizado ou fiscalizado o total recebido como doação e repassado para as duas organizações parceiras.

O usuário não tem nem terá acesso a esses dados internos. Supondo que todo o montante arrecadado chegue às vítimas, se for mesmo o que estou entendendo, trata-se da mais sórdida exploração da desgraça alheia que já presenciei em toda a minha vida.

As pessoas que estão doando seu dinheiro, seus produtos, seu tempo, suas habilidades e sua atenção aos desabrigados e às vítimas não estão pedindo nada por isso, não estão ganhando nada com seu gesto de solidariedade, não estão usando essa tragédia para obter nenhuma forma de lucro pessoal. Fazem o bem porque são humanas, ficaram chocadas com as imagens e as informações, se sensibilizaram com o sofrimento alheio. Ajudam por solidariedade, empatia e até por desespero. E a maioria delas não tem quase nada na vida, em comparação com o apresentador da Globo.

De todas as iniciativas já divulgadas até o momento, só a de Luciano Huck visa primeiramente ao lucro pessoal, para depois, secundariamente, resultar numa ajuda social. Quando um tsunami matou 200 mil pessoas no sudeste da Ásia, em 2004, recebi um e-mail de um escritor inglês pouco conhecido, no qual se fazia a oferta: "Compre um dos meus livros, e eu doarei 30% do valor para as vítimas da tragédia". Saí da lista do explorador barato na hora, mas a favor dele contava o número reduzido de destinatários da mensagem.

Luciano Huck tem 2.600.000 seguidores no Twitter: é este o público-alvo do seu apelo interesseiro. Pode não bater o recorde de cupons, desta vez, mas temo que tenha batido o recorde da safadeza. Aceito argumentos que me provem o equívoco dessa suspeita.

Depois dos R$24 milhões entregues pelo Estado à Fundação Roberto Marinho, dinheiro originalmente destinado à contenção de encostas e às obras de drenagem, mais esta. Turma da Globo, vocês pensam que estão apenas lucrando com as águas, mas na verdade podem estar brincando com fogo.

sábado, janeiro 15, 2011

Mais um fascista na lata de lixo

Defender a ideologia da RBS não é fácil. Há 12 anos (4 do Olívio e 8 do Lula), você tem que ser cotidianamente contra tudo que acontece de bom no Estado e depois do país. Ainda por cima tem que ficar a favor das privatizações e cortes de investimentos públicos do FHC, o governo sem sal do Rigotto e as roubalheiras da Yeda.

Esse é o preço que se paga por defender a ideologia atrasada do neoliberalismo. Mas a RBS é uma empresa e como tal precisa de um rosto para defender esses interesses. Aí é que aparecem pessoas, que a falta de escrupulos e o excesso de dinheiro que recebem, para cumprir esse papel. As vezes eles não conseguem se conter na bizarrice e tem que ser descartados. Afinal a empresa é mais importante. Isso aconteceu com o Mendeslki e com o Barrinuevo. A bola da vez, desse ano, é o "jornalista" Luiz Carlos Prates".

Luiz Carlos Prates era comentarista do jornal televisino da RBS Santa Catarina. Entre uma de suas última "pérolas" foi dizer que o governo Lula e os “miseráveis” são responsáveis pelo aumento do número de acidentes nas estradas. “Este governo espúrio permitiu que qualquer miserável tivesse um carro”. Em outro, defendeu a ditadura militar e negou que tenha ocorrido censura e repressão no Brasil no período dos militares. Para Prates, desde o fim da ditadura, “o Brasil andou para trás” e “a imoralidade tomou conta de todos os nós”.

O "jornalista" Luiz Carlos Prates, que é psicólogo, está deixando o Grupo RBS, após uma “decisão conjunta com a empresa”. Segundo nota divulgada pela RBS, Luiz Carlos Prates deixará de trabalhar nos veículos da empresa para “seguir com projetos pessoais”. Ele era comentarista da RBS TV em Santa Catarina e colunista do jornal Diário Catarinense, onde, segundo a empresa, conquistou “incontáveis” admiradores.

Até agora não se sabe quem são os incontáveis admiradores dele. Por enquanto só um, de caráter duvidoso, manifestou-see é o nada democrático Políbio Braga. Como se vê, nesse caso, os iguais se atraem.



Fonte: RS Urgente

O céu é o limite?

Para a Google parece que não.

Em agosto de 2010, um grupo de estudantes da Nasa e funcionários do Google se uniram para realizar uma louca experiência que tinha como objetivo lançar um Nexus One no espaço através de um mini-foguete.

As equipes planejavam descobrir se os celulares com Android poderiam funcionar e operar como satélites de baixo custo, mesmo em ambiente de vácuo e temperaturas extremas, com altas e baixas repentinamente.

Para ter certeza do resultado, o grupo lançou dois dispositivos, mas apenas um sobreviveu à experiência. O primeiro celular caiu no chão devido a uma falha em seu pára-quedas. No telefone que conseguiu voltar ileso, haviam duas horas e meia de vídeo, que pode ser assistido no YouTube.

Os resultados, que poderiam a tornar os satélites menores (hoje são praticamente do tamanho de um ônibus), também viabilizaria a possibilidade para que cientistas amadores pudessem lançar seus próprios satélites no espaço.

O Google queria mais!

A experiência bem sucedida com a Nasa incentivou a gigante de Mountain View a explorar novamente a atmosfera terrestre com o Google Nexus S.

Utilizando desta vez um balão de grande altitude, câmeras de vídeo e um celular, o Google expandiu seus estudos ao coletar dados através dos sensores do Nexus S, como GPS, giroscópio, acelerômetro e magnetómetro.

O telefone também estava equipado com uma variedade de aplicações, incluindo o Google Maps for Mobile 5.0 (com mapas offline), o Google Sky Map, Latitude e um App personalizado para registro de todos os sensores no dispositivo.

Outra novidade, como você pode ver a imagem que ilustra este post, estava a presença especial de um astronauta bem familiar: o mini Android verde da coleção .

Resultado

Os resultados foram interessante: o balão chegou a 107.375 pés, mais de 20 quilômetros de altura, mais de três vezes a altura de voo de um jato comercial médio.

"Observamos que o GPS do Nexus S é capaz de funcionar até altitudes de cerca de 60.000 pés e voltou a funcionar na descida do balão. Vimos também que Nexus S pode suportar algumas temperaturas muito extremas como -50˚C." disse a empresa.

Outros dados interessantes que foram coletados:

Velocidade Máxima: 139 mph
Altitude Máxima: 107.375 pés (mais de 30 km)
Taxa máxima de subida: 5,44 m/s
Média Duração do Voo: 2 horas e 40 minutos
Média Tempo de Descida: 34 minutos




Veja também todo o processo de montagem e lançamento:



Uma galeria de fotos no Picasa demonstra algumas das belas imagens capturadas e os dados coletados no estudo.

Publicado originalmente em Google Discovery

sexta-feira, janeiro 07, 2011

O caso Battisti

Reproduzo abaixo o artigo do Juremir Machado que foi publicado originalmente na edição de quarta feira (05/01) do Correio do Povo. É uma análise bastante interessante sobre o caso Battisti. O autor desmonta os argumentos de que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) estaria interessado em garantir a prisão de um condenado. Só para lembrar ninguém comenta, por exemplo que ele foi exilado na França durante todo o governo Mitterand. Mais uma vez a velha mídia não estão interessadas no bem de ninguém e sim, simplesmente, instituem-se como representantes das eleites, atrasadas diga-se de passagem, do Brasil. Vale a pena, também, a leitura do verbete "Cesare Battisti" que está na Wikipédia. Lá tem uma descrição muito detalhada e precisa sobre a vida dele e sobre o julgamento.

O caso Battisti

Juremir Machado da Silva

A polêmica envolvendo a extradição de Cesare Battisti se resume o velho refrão: antipetismo e antiesquerdismo. Battisti foi condenado à revelia, sem qualquer prova técnica ou pericial, exclusivamente com base nos depoimentos de uma testemunha interesseira, Pietro Mutti, envolvido nos fatos, que o acusou para ser beneficiado pelos mecanismos da delação premiada. Battisti viveu anos livre na França, durante os governos de François Mitterrand, onde trabalhou, casou-se e teve duas filhas. A Itália não se revoltou contra essa situação nem usou o tom agressivo que dedicou ao Brasil. Quando a direita chegou ao poder na França, reviu o refúgio concedido a ele pelos socialistas. Battisti acabou fugindo para o Brasil. Síntese da ópera: em qualquer lugar, a esquerda dá asilo a quem foi condenado por crimes políticos em defesa de utopias de esquerda. A direita faz o mesmo com os seus. A França de esquerda protegeu Battisti. Já a França de direita, o perseguiu.

O governo italiano atual, de direita, quer trancafiá-lo. Vai oferecer-lhe um novo julgamento? Não. Os críticos de Tarso Genro dizem que, por ideologia, ele entregou os atletas cubanos e, por ideologia, teria decidido não entregar Battisti. Esses mesmos críticos, por ideologia, entregariam Battisti e, por ideologia, não entregariam os cubanos. Tarso Genro afirma que os cubanos não queriam ficar. Outra leitura é possível: o governo brasileiro errou no caso dos cubanos e está acertando no caso do Battisti. Alguns dizem que é preciso pensar nas vítimas. Nunca os vejo manifestar preocupação, por exemplo, com as vítimas do terrorismo de Estado de Israel. Não me venham com a conversa do antissemitismo. Israel tem todo o direito de existir e defender-se, mas não tem o direito de extrapolar na forma da sua defesa, nem de manter os palestinos numa prisão a céu aberto.

Battisti é defendido na França até por intelectuais não esquerdistas como Bernard-Henri Lévy, que conhece o processo como poucos. A direita gaúcha sonha em repetir com Tarso Genro o que fez com Olívio Dutra. A direita brasileira sonha que Dilma Rousseff adote posturas mais à esquerda para poder acusá-la de esquerdismo, chavismo, intransigência, fundamentalismos e outros clichês típicos do radicalismo e da intransigência xiita da direita que a caracterizaram quando tinha o "monopólio da fala" na mídia. A grande arte de Lula foi não ter dado espaço para a aplicação desses rótulos fáceis. A direita é astuta. Condenava o PT por não fazer alianças. Depois, passou a condená-lo por fazer alianças. Battisti é um inocente útil no desejo ideológico de alguns de atingir o petismo.

Organismos internacionais de Direitos Humanos cobram do Brasil atitudes em relação aos crimes da ditadura militar. Não vejo os defensores da extradição de Battisti clamando pela punição dos torturadores do regime de 1964 que passeiam pelas nossas ruas. O Supremo Tribunal Federal nada mais tem a dizer no caso Battisti. Já votou e entregou a decisão final ao presidente Lula. Cabe-lhe agora emitir o alvará de soltura e ir trabalhar mais.

Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br

Fonte: Site Jornal Correio do Povo

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Os números da Globo: lenta decadência

Reproduzo artigo de Rodrigo Vianna, publicado no blog Escrevinhador:

Altamiro Borges, aqui, e Paulo Henrique Amorim, aqui, destacam fatos que demonstram a decadência da TV Globo.

O texto de Miro mostra que o Faustão – em crise de audiência (e de faturamento?) – demitiu a banda de músicos. E que o “Fantástico” enfrenta a pior crise de sua longa história. O Paulo Henrique relata como a audiência do “JN” encolheu em dez anos: o jornal apresentado por Bonner perdeu um de cada quatro telespectadores de 2000 para 2010 – são números oficiais do IBOPE.

São fatos. Não é bom brigar com eles. Mas é bom analisar esse proceso com cautela.

Quando entrei na TV Globo, em 95, o “JN” dava quase 50 pontos de audiência. Era massacrante. O “Globo Repórter” dava perto de 40 pontos.

Em 2005/2006, quando eu estava prestes a sair da emissora, o “JN” já tinha caído pra casa dos 36 ou 37 pontos (havia dias em que o jornal local conseguia mais audiência do que o principal jornal da casa) e o “Globo Repórter” se segurava em torno de 30 ou 32 pontos (programa que desse menos de 30 abria crise, era preciso sustentar a marca dos 30).

Esse tempo ficou pra trás. O “JN” já caiu pra menos de 30 pontos. E o Globo Repórter hoje patina em 24 ou 25 – dizem-me.

O “Jornal da Record” dobrou de audiência. Em São Paulo chega a 10 pontos, em outros Estados passa dos 12 ou 13. Nas manhãs, a Globo e a Record (com o SBT um pouco atrás) brigam pau a pau. E a Record vence em muitos horários matutinos, há meses. Aos domingos, a Globo também sofre. A grande jóia da coroa da emissora carioca é o horário nobre durante a semana: novelas+JN. Nesse caso, os números revelam que o domínio da Globo se reduz, ainda que de forma lenta.

Muita gente espera o dia em que a Globo vai passar por uma hecatombe e deixará de ser a Globo. Acredito que isso não vai acontecer: a queda será lenta, negociada, chorada…

A Globo poderia ter quebrado ali pelo ano 2000. No primeiro governo FHC, Marluce (então diretora geral) tivera duas idéias “brilhantes”: tomar dinheiro emprestado, em dólar, para capitalizar a empresa de TV a cabo do grupo; e centralizar as operações numa “holding”. Ela acreditou nas previsões do Gustavo Franco e da Miriam Leitão, de que o Real valeria um dólar para todo o sempre! Passada a reeleição de FHC, em 98, o Brasil quebrou, veio a crise cambial e a Globo ficou pendurada numa dívida em dólar que (de uma semana pra outra) triplicou.

A dívida era da TV a cabo mas, como Marluce e os geniais irmãos Marinho tinham centralizado as operações na holding, contaminou todo o grupo. A Globo entrou em “default”. Quebrou tecnicamente. Poderia ter virado uma Varig. Mas conseguiu (sabe-se lá com quais acordos e pressões políticas) equalizar a dívida.

Quando saiu da crise, em meados do primeiro mandato de Lula, a Globo (o jornalismo) estava já sob os auspícios de Ali Kamel – o Ratzinger. Ele conduziu a empresa para a direita: contra as cotas nas universidades, contras as políticas de combate ao racismo (“Não somos racistas”, diz), contra o Bolsa-Família. O grande público não percebe isso de forma racional. Mas (mesmo que de forma despolitizada) sente que a Globo ficou contra todos os avanços sociais dos últimos 8 anos. Lentamente, foi-se criando uma antipatia no público. Ouve-se por aí: a Globo não fica do lado do povão.

Não é à toa que um fenômeno novo surge nas grandes cidades, como São Paulo. Nas padarias, restaurantes populares, pontos de táxi, era comum ver televisores ligados sempre na Globo. Isso há 7 ou 8 anos. Acabou. De manhã, especialmente, a programação da Record e do SBT (e às vezes também dos canais a cabo) entra nas padarias, ocupa os lugares públicos.

Essa é uma mudança simbólica.

Mas é bom não brigar com outro fato: boa parte do público segue a ter admiração e carinho pela progamação da Globo. E há motivos pra isso, entre eles a qualidade técnica. A iluminação, a textura da imagem, o cuidado com o bom acabamento. Tudo isso a Globo conseguiu manter – apesar de muitos tropeços aqui e ali.

Fora isso, apesar de toda crítica que façamos (e eu aqui faço muito) ao jornalismo global, é bom não esquecer que na TV da família Marinho há sim ótimos profissionais, gente séria que tenta (e muitas vezes consegue) fazer bom jornalismo.

Esse capital – qualidade técnica – a turma do Jardim Botânico tem conseguido manter. O que não ajuda: a política editorial, adotada por exemplo durante a posse de Dilma. Ironias desmedidas, falta de compreensão do momento histórico e uma arrogância de quem se acha no direito de “ensinar” como Dilma deve governar. A seguir nessa toada, a decadência será mais rápida…

E o que mais pode entornar o caldo por lá? Grana.

A Globo tem custos altíssimos de produção. Quem conhece de perto o Projac diz que aquilo é uma fábrica de boas novelas e minisséries, mas também uma fábrica de desperdício. Empresa familiar, que cresceu demais. Cada naco dominado por um diretor, como se fosse um feudo. Até hoje a Globo conseguiu manter essa estrutura porque ficava com uma porção gigante das verbas públicas de publicidade (isso mudou com Lula/Franklin) e com uma porção enorme da publicidade privada: o BV – bônus em que a agência é “premiada” pela Globo se concentrar seus anúncios na emissora – explica em parte essa “mágica”; outra explicação é que a Globo detem (detinha!?) de fato fatia avassaladora da audiência.

Com menos audiência, as agências (ou as empresas anunciantes, através das agências) podem pressionar para que o valor dos anúncios caia. Se isso acontecer, a Globo vai virar um elefante branco. Impossível manter aquela estrutura verticalizada se a grana encurtar.

Qual o limite que a Globo suporta? Difícil saber. Mas a dispensa da banda do Faustão é um indicador de que a água pode estar subindo rápido.

Outro problema sério: o risco de perder a transmissão do futebol, ou de ter que pagar caro demais para mantê-lo.

Tudo isso está no horizonte. E mais: a entrada das teles no jogo. O Grupo Telefônica, por exemplo, fatura dez vezes mais que a Globo. Como concorrer? Só com regulação do mercado, assegurando nacos para os proprietários nacionais.

Ou seja: a Globo – que é contra a regulamentação (“censura”, eles bradam) por princípio – vai ter que pedir água, vai ter que negociar alguma regulação pra conter os estrangeiros. E aí pode entrar também a regulação que interessa à sociedade: critérios para concessões, e também para evitar o lixo eletrônico e os abusos generalizados na TV. Regulação, como em qualquer país civilizado. Até aqui a Globo tentou barrar esse debate. Mas vai ter que aceitá-lo agora, porque ficou mais frágil.

De minha parte, não torço pra que aconteça nenhuma “hecatombe”, nem que a Globo quebre. Mas para que fique menos forte, e que o mercado se divida.

Parece que é isso que está pra acontecer. Seria saudável para o Brasil.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Papai Noel dos ricos

Quem não acredita em Papai Noel é porque não conhece o Governo Sartori. Não, eu não estou falando do prefeito que fez proselitismo barato distribuindo brinquedos no Canyon. Estou falando de um Papai Noel ao contrário. Sim, porque ele, nesse caso, dá presentes para os malvados. Não sabe planejar investimentos para a compra de terras e para o abastecimento de água? Criamos uma taxa para isso. Passou o ano eleitoral? Aumentamos os impostos. O transporte público está ruim? Aumentamos a passagem de ônibus. Não conseguiu dinheiro para fazer um filme? Toma R$ 100 mil. Sobra aos "bonzinhos" pagar essa conta sem que nada se reverta a comunidade.

Mas quero falar mesmo é da última peripécia da prefeitura. O aumento da passagem de ônibus para R$ 2,50. No ano passado como ia pegar mais mal que bater em mãe reajustar as passagens quando já tinham dado uma renovação de contrato de presente para a Visate, o valor ficou igual. Esse ano tentaram mas não conseguiram revisar as gratuidades aí penalizaram a população com um reajuste superior a inflação. Isso é para que o povo deixe de ser bobo e para de questionar o gringo máximo de nossa cidade.

Isso é o que a prefeitura deixou muito claro na última reunião do CMTT. Ao exercer sua força já que o executivo tem 6 cadeiras e mais 3 são dos empresários (de 18 conselheiros isso já garante quorum e maioria automaticamente), aprovou um reajuste nas passagens de ônibus de mais de 13% sem pestanejar. Essa reunião foi feita no dia 23 de dezembro, antevéspera de natal. Os argumentos para tal reajuste? Os mesmos de 2 anos atrás, ou seja, a Visate já conhecia o quadro do tranporte público caxiense e mesmo assim quis continuar, logo deve ser um bom negócio. Mas quais os argumentos?

1 – O número de passageiros está praticamente igual ao de 2008.

2 – As gratuidades, principalmente as dos idosos entre 60 e 65 anos aumentaram muito.

O número de passageiros está igual, porque o transporte público é ruim. Não que os ônibus sejam velhos ou sujos, é porque ele é ineficiente. Os ônibus atrasam, nos horários de pico estão sempre ultralotados e, nos corredores de ônibus, às vezes a pé você é mais rápido que o ônibus.

As gratuidade aumentaram porque a população está ficando mais velha e mais e mais pessoas alcançam a faixa dos 60 anos. Só que a lei que dá gratuidade na faixa dos 60 a 65 anos é municipal e a Visate já sabia disso. Se topou as regras ou é mal administrada ou a prefeitura prometeu fazer algo que não conseguiu (no caso acabar com as gratuidades).

Um pequeno teatrinho foi feito entre a Visate e o Secretário de Transportes mas depois a votação foi matadora, 12 a 3. A reunião foi assistida por uma platéia, embora pequena, mas representativa. Estavam presentes representantes do Sindicato dos Servidores, SindiServ, UAB, DCE, MTD e outros movimentos. Até servidores da prefeitura vieram ver o barulho que saia do auditório da prefeitura. Talvez a única vez, em 2010, que o povo esteve presente na prefeitura sem que seja para ser cooptado.

Na mesa os 15 conselheiros presentes, talvez quase todos não usem ônibus. Na platéia, sem direito a palavra as pessoas que usam o transporte público. O direito a palavra era feito aos gritos por algumas pessoas. Mais impressionante foi o DCE que tem cadeira no Conselho não poder participar, tudo porque a antiga gestão indicou os representantes para o CMTT depois que já tinha perdido as eleições (a posse dos conselheiros foi no mesmo dia da posse da atual gestão do DCE). Como não houve tempo para a nomeação a entidade ficou de fora. Mais um grande absurdo.

Nas palavras do Coordenador de Finaças do DCE, Vinícius Postali, publicadas no Jornal Pioneiro de hoje, "Se aquele conselho (o CMTT) representa o controle social no transporte de nossa cidade, estamos perdidos. (...) O Conselho deveria reunir-se para debater o congestionamento do Centro, da UCS, o desrespeito às leis de trânsito por parte motoristas, pedestres, fornecedores de serviço e propor soluções para isso, mobilizar a sociedade sobre a importância do tema."

Acho que isso resume tudo. O CMTT não é um instrumento de cidadania é um instrumento para tentar blindar o prefeito de aprovar medidas impopulares. O Conselho tem essa função e é por isso que reúne uma vez por ano apenas.


Foto: Lisiane Zago/Assessoria de Comunicação SindiServ

quarta-feira, dezembro 22, 2010

A Rede Social

A primeira vista pode parecer um programa nerd: assitir ao filme Rede Social. Nada mais equivocado que esse pensamento. O filme que estreou em dezembro conta a história de Mark Zuckerberk um dos fundadores do Facebook. Apesar de não ter como desassociar a imagem de Mark do Facebook o filme retrata a sua ascenção de um estudante de Harvard a o bilionário mais jovem da história. Não sabiam os produtores do filme que esse ano ele seria escolhido a personalidade do ano da Time.

O filme teve boa aceitação da crítica e é uma narrativa bastante intensa. São na essência duas partes. A primeira parte mostra o jovem estudante que “hackeia” os sites dos alojamentos de Harvad para coletar as fotografias das estudantes e cria um site onde as pessoas votam na “mais gostosa”. Além de toda a polêmica causada o site alcança 22 mil acessos em duas horas e Mark ganha 6 meses de suspensão por causa de diversas violações que ele cometeu.

Nessas férias forçadas ele é procurado por dois irmãos que propõem que ele faça um site de relacionamentos que seria exclusivo para estudantes de Harvard ou para seus convidados. A partir daí o filme sugere que Mark tenha criado o Facebook dessa ideia.

Na segunda parte é a briga judicial com os irmãos Winklevoss proprietários do site HarvardConnection, posteriormente chamado ConnectU, e do seu amigo e cofundador do Facebook, o brasileiro Eduardo Saverin. Nesse ponto a narração passa a ser mais intensa com a história sendo contada através das audiências judiciais dos dois processos, que aconteceram simultaneamente.

O filme tem muitos momentos hilários por conta da figura surreal de Mark e é também uma boa pedida para quem quer entender o peso que uma ideia tem no mundo atual. É bom lembrar que o Facebook foi criado em 2004, portanto a história conta um fato extremamente recente e que ainda está marcando a vida das pessoas, ou pelo menos dos 500 milhões de usuários do Facebook.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Mais uma tentativa de regular a internet

Se já não bastasse o AI5 digital, o famigerado projeto de lei do Senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG), outros projetos se juntam a essa prática. Mesmo o Obama já apresenta um projeto que criaria uma "porta dos fundos" em todos os provedores de internet para que seja feita "uma escuta eletrônica".

Juntando-se a isso e sempre procurando uma "causa nobre" outros projetos são apresentados. Estava olhando hoje o site da Câmara dos Deputados onde encontrei a matéria do projeto 7439/10, do deputado Edmar Moreira (PR-MG). Esse projeto propõem que os provedores de internet instalem um filtro de conteúdo que atingiria conteúdo, segundo o autor, pornográfico ou que incitem a violência, o consumo de drogas, a discriminação racial, propaganda nazista ou pedofilia.

Na verdade na intenção de mostrar serviço os deputados propõem uma enorme lista de insanidades. Essa é uma delas, na minha opinião. Não que não seja nobre que esses conteúdos não sejam divulgados e que nossas crianças "sejam protegidas" da violência ou da pedofilia. Acontece que já existe inúmeras ferramentas de filtro de conteúdo disponíveis no mercado, muitas delas gratuitas. O problema de acessar ou não conteúdo pornográfico, discriminatório ou que seja não está ligado a que você tenha ou não acesso a esse conteúdo, é uma questão educacional. Antes da internet, menores de idade conseguiam ter acesso a revistas pornográficas, mesmo sua venda sendo proibida.

O grande problema desses filtros é que eles se baseiam por palavras. Muitos já vem com listas de sites, mas eles precisam ser ensinados sobre o que filtrar. Por exemplo se eu colocar um bloqueio que atinja a palavra "sexo", um site pornográfico será bloqueado como também um site que tenha a citação do livro "O Segundo Sexo" (Simone de Beauvoir). E convenhamos se quiséssemos mesmo evitar que nossas crianças recebam conteúdo impróprio deveríamos estar discutindo as novelas e os programas dominicais, como o Domingão do Faustão, que simulou, no último domingo, um acidente com o atriz e cover de cantora Suzana Vieira, para que um de seus seios ficasse a mostra.

Mais, o melhor jeito de evitar que nossas crianças não acessem conteúdo violento ou pornográfico é melhorando a sua educação. Cabe aos pais não deixarem seus filhos com a nova "babá eletrônica" que é o computador e cabe aos professores se atulizarem e saírem da idade das cavernas que foram transformadas nossas escolas.

O mundo digital é extremamente rápido e caótico e uma criança de 10 anos já tem mais informações do que um adulto com o tripo de sua idade. Então converse mais e filtre menos.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Taxa Sartori


Lamentável, mais uma vez, a atitude da Câmara de Vereadores por fazer coro com o Sartori e aprovar, no apagar das luzes de 2010, mais uma taxa.

Os R$ 4,32 que incidirão sobre a tarifa de água de cada residência caxiense representa 23% da tarifa básica. O mais lamentável é que esse tipo de cobrança fica longe de ter seu componente social, pois não faz distinção entre os diferentes. Não importa se você é rico ou pobre, nem se gasta muito ou pouca água, o que importa é recebe água, paga a taxa.

Isso é o contramão de outras tarifas, ou contribuições, que foram propostas recentemente. Só para fazer um parelelo a contribuição que iria substituir a CPMF, propunha um isenção para quem recebesse até R$ 3.038,00 e era progressiva, ou seja, quanto mais dinheiro você tinha, mais você pagava. Isso é justiça social. E olha que boa parte dos vereadores que votaram a favor da Taxa Sartori era contra a essa contribuição para a saúde.

Entretanto votaram, sem o menor pudor, favorável a uma contribuição que prejudica, justamente quem tem menor renda. Nem a justificativa da Prefeitura é crível, pois existe uma grande linha de financiamentos do Governo Federal para Saneamento e Abastecimento, um exemplo é que o próprio Marrecas está sendo construído com financiamento federal.

Mas muito pior ainda é que vereadores do campo de esquerda esqueceram de quem dizem defender. Ao penalizar quem ganha menos, penalizaram justamente a classe trabalhadora e tiraram uns trocados dos empresários e da elite econômica de Caxias do Sul. Nota Zero para Assis Melo e Renato Oliveira (PCdoB) e Marcos Daneluz (PT).

Como votaram os vereadores:
A favor:
Alaor de Oliveira (PMDB)
Ari Dallegrave (PMDB)
Arlindo Bandeira (PP)
Assis Melo (PC do B)
Elói Frizzo (PSB)
Geni Peteffi (PMDB)
Gustavo Toigo (PDT)
Marcos Daneluz (PT)
Mauro Pereira (PMDB)
Renato Oliveira (PC do B)
Renato Nunes (PRB)
Vinicius Ribeiro (PDT)

Votaram contra:
Ana Corso (PT)
Denise Pessôa (PT)
Rodrigo Beltrão (PT)
Daniel Guerra (PSDB)

Em defesa da liberdade de expressão


Artigo publicado originalmente no blog http://movimentacaoucs.blogspot.com


Movimentação participa da rede de apoio ao WikiLeaks


Desde a semana passada a Movimentação é parceira do site de informação WikiLeaks. Esse portal de informação ficou famoso em 2010 por ter disponibilizado, na rede, informações secretas sobre a Guerra do Iraque e Afeganistão, inclusive um vídeo com militares assassinando a população civil iraquiana. Mais recentemente o vazamento de telegramas secretos da diplomacia americana gerou grandes açõe de repressão por parte, principalmente, do governo americano e seus aliados.

O WikiLeaks não é novo. Ele foi fundado em 2007 com o objetivo de ser um espaço para denúncias sobre governos e instituições. O site disponibiliza documentos originais, conseguidos muitas vezes de fontes anônimas, para que os leitores tirem suas conclusões sobre os conteúdos apresentados. O uso de fontes anônimas é uma característica do jornalismo investigativo e essa característica é inerente ao WikiLeaks.

Um dos motivos que gerou a criação do site, segundo seus fundadores, foi a percepção que eles tiveram que a mídia estava se tornando cada vez menos independente, negando-se a fazer as perguntas “difíceis” para os governos, corporações e instituições.

Como são independentes e não visam o lucro, a Fundação WikiLeaks torna-se um lugar para a livre circulação de informação e denúncias sobre os governos e outras organizações. A organização baseia-se na liberdade de expressão e informação, constante na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Por ter exposto ao mundo documentos que expunham os horrores praticados pelo governo americano nas guerras do Iraque e Afeganistão e por mostrar ao mundo a ingerência desse mesmo governo nos assuntos de outros paises, o WikiLeaks tem sofrido ataques constantes. As ações partem de grandes grupos empresariais como PayPal, Visa e Mastercard que se negam a repassar as doações a Fundação e também de empresas de hospedagem de conteúdo. Para evitar que o site saia do ar e que as informações se percam, iniciou-se um grande trabalho de constituição de “mirrors” do WikiLeaks.

Mirrors são cópias do site original exatamente com o mesmo conteúdo. A vantagem dos mirros é que as pessoas podem acessar o conteúdo usando endereços alternativos. Dessa maneira mesmo que o site original saia do ar todos os outros ficarão ativos.

É dessa campanha mundial que estamos participando. Pelo endereço http://wikileaks.movimentacaoucs.com.br a Movimentação participa como um dos mirrors do WikiLeaks no mundo. Já são mais de 1600 páginas que espelham todo o conteúdo do site original. Com essa ação estamos contribuíndo para uma imprensa verdadeiramente livre e a garantia da liberdade de informação.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Há 30 anos 4 tiros calavam John Lennon

8 de dezembro de 1980 é uma daquelas datas que ficam no imaginário mundial. Talvez não de todo mundo literalmente pois a globalização, seja cultural ou da informação ainda não era tão palpável quanto hoje. Mesmo assim quando às 23 horas do desse dia Mark Chapman dispara, na frente do Edifício Dakota (foto), em Nova York, 5 tiros, quatro deles acertando Lennon o mundo silenciou. Lennon foi uma das personalidades mais influentes do século XX. Mudou a música, mudou hábitos e foi um ativista tanto pela paz quanto pelos direitos humanos.

Mark Chapman, por sua vez, nasceu no Texas em 1955. Se dizia fã dos Beatles, porém era uma pessoa atormentada por algumas declarações que o próprio Lennon tinha dado. Numa delas ele teria dito que os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo. Em outra, na música Imagine, John diz que os céus e o inferno não existem. Chapman um religioso obstinado e isso o incomodava muito. Ele disse à época que ouviu uma voz misteriosa que lhe repetia: "Do it, do it, do it" (faça isto) quando John passou por ele. E que, antes do cantor aparecer, "Não havia emoção no meu sangue. Não havia raiva. Não havia nada. Era um silêncio mortal no meu cérebro." Chapman também disse em entrevistas que pediu ajuda a Satanás para possuí-lo e assim cometer o crime.

John Lennon quando iniciou suas atividades pacifista de forma mais intensa foi duramente perseguido pelo FBI, que investigavam cada um de seus passos. Após a sua morte a agência federal americana admitiu que o investigava. Na época os Estados Unidos estavam enterrados nos lamaceiros do Vietnã e a ideologia Nixon espalhava uma paranóia generalizada pela nação (é válida a comparação do Bush com o Iraque).

Muito se especula se o crime não teria sido encomendado, afinal se existe uma dúvida que um presidente (Kennedy) foi morto por uma conspiração que envolvia seu próprio governo, o que custava matar um músico? Uma coisa é certa Chapmann não agiu sozinho. Ele é fruto de seu meio. Ele é fruto de uma sociedade fervorosamente religiosa e irracional, de uma sociedade que cultua a violência e despreza o que "não é americano". Essa irracionalidade e obscurantismo religioso tiraram a vida de uma das maiores vozes do século XX.

Imagine, que foi considerada um hino pela paz (e que toca em toda a propaganda de final de ano em qualquer festa, rádio, ou TV), juntamente com Give Peace a Chance, são duas entre muitas músicas dessa fase ativista de John. Particularmente eu acho o clipe de Imagine (clique no link para assistir) uma das coisas mais sensacionais já feitas. Não por que é sofisticado, cheio de efeitos especiais, mas por sua incrível sensibilidade. John e Yoko aparecem caminhando, de costas, em meio a neblina ao som de pássaros até chegarem a porta de casa. Na próxima tomada vemos uma sala ampla, escura, com John tocando piano ao fundo. A sala vai sendo iluminada quando a Yoko vai abrindo as janelas. É a única luz que incide no ambiente. Simples, emotivo e não faz perder o foco do principal, a música.

Hoje Lennon teria 70 anos se não tivesse sido assassinado. O mundo não ficou melhor do que na década de 1980, não ficou mais pacifico, nem mais justo. Ainda estamos longe de imaginar um mundo sem posses, sem países, sem motivos para matar ou morrer, mas precisamos dar uma chance a nós mesmos por que senão ninguém dará.


quinta-feira, julho 01, 2010

25 de junho o Dia Nacional Sem Globo

Essa copa foi um terror para a Rede Globo e olha que ela se preparou bem para isso. Adquirir os direitos de transmissão da Copa do Mundo custa caro. A Fifa arrecadou US$ 3,2 bilhões nesse quesito para a copa 2010. Além disso há todo o custo de enviar uma equipe gigantesca, são centenas de profissionais, tanto para a Globo, como para a Sport TV. São repórter, técnicos, motoristas, engenheiros, comentaristas, produtores entre outros que fazem as imagens chegar até nós. Com tudo isso a "Vênus Platinada" tinha certeza. Seria a única voz do Brasil.

Certo?

Errado.

Apesar de todo o dinheiro, tecnologia, poder e prestígio a Globo não contava com atos individuais. Ações surgidas voluntariamente que poriam em xeque seu poder de sempre transmitir a "verdade". A Globo é uma representante da velha mídia. É na verdade a mais poderosa representante da velha mídia. Essa é a mídia que faz a comunicação de um para muitos, ou seja, o que o William Bonner fala é verdade. É uma mídia massificada, simplificada (só o que o Homer Simpson pode entender, segundo o Bonner) e absolutamente reativa (você só pode escolher assistir ou não e mais nada).

Mas aí surge uma coisa chamada mídia sociais. Todo mundo fala sobre elas, muitos acham que ela é o futuro agora, poucos sabem como funcionam e muita gente usa errado. Para o bem o para o mal essas mídias são algo sem controle. Orkut, Facebook, Twitter, blogs podem ser censurados, e são, podem ser bloqueados, e são, mas até nos países mais fechados eles sobrevivem. Isso vale para um país, como o Brasil, dominado por uma rede de comunicação. A Globo tem TV, jornal, rádio, site, editora, tem site, twitter e mais um monte de coisa, mas ainda é a representante da velha mídia. O que as mídias sociais fizeram, na verdade quem fez foram seu usuários, foi começar a questionar as verdades ditas pela poderosa Globo.

Tudo começou com uma brincadeira, mas será que uma brincadeira não é séria? Na abertura da Copa do Mundo o que estoura no Twitter? "CALA BOCA GALVAO". A frase é tão poderosa, que foi repetida milhares de vezes a ponto de ser a mais comentada entre todos os usuários do mundo. O mundo inteiro começou a perguntar: "o que é CALA BOCA GALVAO?". Aí a brincadeira aumentou. Surgiram explicações, todas fantasiosas, de que era uma campanha para salvar o pássaro galvão, ou que era uma nova música da Lady Gaga. Até o Paulo Coelho entrou na brincadeira dizendo que era um remédio homeopático para o Silentius Galvanius. O "CALA BOCA GALVAO" permaneceu por mais de 15 dias como o termo mais comentado entre os usuários do Twitter de todo o mundo.

Até que veio a entrevista coletiva do Dunga depois da partida com o Costa do Marfim. Nessa entrevista ele perdeu as estribeiras e desferiu impropérios impublicáveis direcionados a um repórter da Globo. A reação da emissora? Um editorial, ao estilo da velha mídia, repudiando o treinador brasileiro. A reação do mundo virtual foi mudar o cala boca para o Thadeu Schimidt, que leu o fatídico editorial. Nesse momento surgiu o movimento #diasemglobo (no twitter colocar um # na frente de uma palavra identifica ela mais facilmente na rede). O dia que começou como desforra ao Dunga, foi entendido por outros como um desafio ao poderio da emissora. A data escolhida foi dia 25 de junho, o jogo do Brasil com Portugal. Segundos depois do jogo uma série de representantes da velha mídia e outros que estão migrando para a nova mídia com a mentalidade da velha decretaram: "o dia sem globo falhou". Sua fonte? O Ibope.

O que disse o Ibope

O Ibope mede a audiência da TV brasileira. Ok, todo mundo sabe. Essa medição é feita por um aparelho instalado na televisão de algumas famílias (veja como) e são de 3 abrangências. Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro e o Painel Nacional de Televisão, que pesquisa a audiência nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Distrito Federal. Esses dados não são secretos (veja aqui), só chegam com algum atraso. Mas o que eles nos dizem?

Primeiro é preciso considerar que os números não mentem, mas os mentirosos usam números para mentir. Sabendo disso, a tentativa foi dizer que a Globo aumentou a audiência de um jogo para o outro, por isso a campanha tinha falhado. Isso não deixa de ser verdade, em parte, olhe os números:

Brasil x Coreia do Norte (15/06) Globo (48,53%) Band (7,29%)

Brasil x Costa do Marfim (20/06) Globo (43,27%) Band (7,27%)

Brasil x Portugal (25/06) Globo (46,33%) Band (8,66%)

Nossa a primeira vista realmente a Globo venceu, certo?

Errado.

Primeiro não basta comparar com o jogo anterior. Por quê? Porque o jogo contra a Costa do Marfim foi num domingo e a medição do Ibope é por televisão ligada. É bom lembrar que nos domingos as pessoas estão mais propensas a fazerem atividades coletivas e futebol lembra reunião com amigos/familiares, churrasco (ou congêneres), enfim atividades mais coletivas. Nos dias de semana as pessoas tem 2 horas mais ou menos de folga do trabalho para assistir o jogo. Portanto a comparação tem que ser com o primeiro jogo. Nesse caso a queda da audiência da Globo foi de 2,2 pontos percentuais isso significa mais de 420 mil televisores, um número significativo.

Alguns dirão "é pouco", sim é! Mas o vício na Globo é como qualquer vício deve ser tratado um dia de cada vez. Então diga para você mesmo "hoje não vou ver a Globo".

segunda-feira, maio 24, 2010

Puxe a alavanca Igor!

Todo o cientista maluco precisa de um Igor para puxar a alavanca de suas criações, malucas. Essa é a história contada pela animação "Igor" (veja o trailer). Nesse caso o Igor não quer ficar com o papel secundário de apenas puxar a alavanca, mas sim ele quer poder criar vida!

Mas não é sobre o filme que eu quero falar (talvez outro dia). O assunto mesmo é sobre o resultado das pesquisas do grupo liderado pelo pesquisador J. Craig Venter. Na quinta feira passada, 20/05, os pesquisadores anunciaram que conseguiram fazer uma célula controlado por um genoma sintético. Genoma é toda a informação, armazenada na célula de um ser vivo, que possui a "receita" de como fazer esse ser vivo. O grupo sintetizou um genoma da bactéria Mycoplasma mycoides e inseriu ele na casca da Mycoplasma capricolum, outra bactéria. Ao final da experiência a bactéria reproduziu-se como se fosse a primeira (com o genoma sintetizado) ao invés da segunda (hospedeiro). Deve ter sido uma legitima sensação "eu criei vida", só não havia nenhum Igor para puxar a alavanca. No lugar dele havia uma equipe de 20 pesquisadores, US$ 40 milhões gastos em 10 anos de pesquisa.

O genoma é composto por pares de moléculas denominados: a,t,g,c. A combinação delas diz como será um ser vivo. Não importa se for uma bactéria ou uma baleia. Todos os seres vivos são compostos por esses pares de moléculas. Os pesquisadores do Instituto J. Graig Venter passaram toda essa sequência genética da Mycoplasma mycoides, mais de 1 milhão de pares de DNA, depois modificaram alguns pares para fazer uma "marca de nascença", que a difere da que foi criada pela natureza e sintetizaram, artificialmente, esse genoma. Ao colocar essa genoma dentro de outra célula (que teve seu código genético retirado) essa segunda célula começou a se duplicar igualzinho ao que tinha sido previsto pelo programa de computador. Isso aconteceu naturalmente, dando apenas alimento e um meio favorável para se reproduzir, ou seja, sem nenhuma outra força invisível que lhe desse vida.

Foi vida artificial?

A vida não foi criada do nada, isso é verdade. A experiência duplicou um genoma que já existia e o modificou. Mas isso provou que: (1) o código genético de um ser vivo pode ser copiado e modificado e (2) que um organismo vivo não precisa de nenhuma força extranatural para existir. Nesse ponto as religiões já tremeram nas bases. Toda a sua necessidade de existência baseia-se unicamente na crença de que existe um ser, ou força, superior que tem a capacidade de dar e tirar a vida. O que provaram os cientistas que realizaram essa experiência é que isso não é verdade. A vida, para existir, precisa apenas de sua codificação genética e de um meio propício para se reproduzir e se alimentar. Ainda há uma grande distância entre o que foi realizado nessa experiência e sintetizar vida partindo do zero. Mas esse passo já foi imensamente grande nesse sentido. A pergunta que se faz agora é se devemos ou se há interesse em criar vida? Do ponto de vista industrial e econômico, que é o interesse dos pesquisadores, é muito mais simples, e barato, inserir características novas em um ser já existente. Nesse ponto cogita-se bactérias com capacidade de separar o hidrogênio das moléculas de água o que tornaria os carros movidos a hidrogênio extremamente baratos. Também tem a possibilidade de modificar uma bactéria para ela trabalhar na despoluição, entre outros usos. Há ainda, claro, o medo que se criem armas biológicas ou uma superdoença. Por isso a necessidade de discussões sobre o que é ético ou não é ético de fazer.

Quem é Graig Venter?

Veterano da Guerra do Vietnã, Venter se formou em Bioquímica em 1972, doutorou-se em Farmacologia em 1975 e foi trabalhar no Instituto Nacional de Saúde em 1984. Em 1999 resolveu investir em seu próprio Projeto Genoma Humano. Graig Venter não é nenhum bom samaritano. O que é quer é dinheiro mesmo. Pesquisadores do mundo inteiram o acusam de estar monopolizando a tecnologia de biologia sintética o que faria com que ele fosse "dono" dos organismos criados por essa tecnologia. Entre outros feitos de Venter está o mapeamento do Genoma Humano, 3 anos antes do prazo previsto. Entre os contratos milionários que ele fechou está um com a Exxon, empresa pretroleira, que investiu US$ 600 milhões em uma pesquisa que poderia converter o CO2 da atmosfera em combustível. Em 2007 o pesquisador deu o primeiro passo na descoberta que aconteceria na semana passada ao divulgar que havia conseguido criar um cromossoma a partir de elementos químicos.

Não sei quanto a você que está lendo essa postagem, mas nem o Dr. Frankenstein teria feito melhor e não precisou de descargas elétricas, nem tempestades e nem de um Igor para puxar a alavanca.

[Imagem: Etapas do experimento foram detalhadas em artigo publicado pela 'Science']

quarta-feira, maio 12, 2010

Combatendo o analfabetismo digital

Diariamente eu respondo, no mínimo, uma dúvida de informática. São telefonemas, e-mails, mensagens no MSN ou no Talk. Façam a conta por ano quanto dá isso. Por isso eu resolvi dar uma outra função ao meu blog. Tomei um desafio de realizar pelo menos uma postagem, toda semana, respondendo as dúvidas mais freqüentes que eu recebo. A ideia é fazer mini tutoriais para que mais pessoas possam acessar essas dúvidas. Bom o desafio agora é iniciar essa tarefa. Para isso selecionei 4 dúvidas e vou propor uma votação, pelo blog, para que os leitores escolham a primeira postagem. Entretanto eu continuarei fazendo outras postagens, espero que com mais freqüência. Dependendo da resposta que eu obtiver essa seção pode endereço próprio. Os quatro temas que eu selecionei são:

  • Transformar arquivos em pdf
  • Criar um índice automático num editor de texto
  • Redimensionar imagens
  • Compactar arquivos

Acesse a enquete e vote. Uma das coisas que quero fazer é responder a dúvidas usando os softwares mais usados mas também mostrar que existem alternativas para eles que, as vezes, cumprem as mesmas funções em exigir o uso da pirataria. Espero que gostem da proposta. Votem e comentem.

Você tem até sábado de noite para participar.

sexta-feira, abril 23, 2010

Agora ninguém é contra as gratuidades

Precisou de manifestações, pressão da população e uma audiência pública para sepultar, pelo menos por enquanto, as retiradas de direitos de estudantes, idosos e portadores de necessidades especiais do transporte público. No mês de março o então Secretário de Trânsito, Vinícius Ribeiro, apresentou durante o Fórum dos Usuários um estudo que apontava o impacto que as gratuidades tinham no valor da passagem. O recado era claro. Ou revisasse as gratuidades, e aí discorria uma série de propostas, ou as passagens terão que ser reajustadas.

O que o Governo Sartori não contava era com a contrariedade da população. A proposta ganhou a mídia com muita força e a população logo tomou posição contrária a perda dos direitos. Até mesmo a mais polêmica delas, o passe livre aos domingos, ganhou inúmeros defensores. A UAB realizou um ato, em frente à Secretaria, no dia 1º de abril e a Comissão de Legislação Participativa e Comunitária (CLPC) da Câmara de Vereadores, presidida pelo vereador Rodrigo Beltrão, chamou uma audiência pública para o dia 12 de abril. É sobre essa audiência que vou falar abaixo.

Representando a Secretaria de Transportes, Jorge Dutra, novo secretário, qualificou o transporte público em Caxias do Sul como de boa qualidade, mas que ainda há muitas melhorias para serem feitas. Dutra garante que as gratuidades estão em lei e serão respeitadas (mas então o que a secretaria queria fazer mesmo?). Entretanto o novo secretário admite que outras ações podem ser feitas para o barateamento das passagens. Além da redução dos impostos há ações como: pavimentações de vias por onde o ônibus passa para reduzir o tempo de viagem e o desgaste dos veículos; os binários, perimetrais e rotas alternativas que organizam melhor o fluxo do trânsito.

Representando a Visate o seu gerente administrativo, Gustavo dos Santos, foi um homem de poucas palavras. Simplesmente falou que em 5 anos aumentou em 10% o montante de gratuidades. Além disse reafirmou que a Visate cumpre o que o gestor público determina, ou seja, a Prefeitura.

Coube, então, ao representante do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes, Enio Brambatti, a intervenção mais surreal de todas. Sua fala teve pérolas do tipo: “alguém acha que tem um poço de petróleo embaixo da Visate?”. Brambatti fez a defesa mais apaixonada pela empresa de transporte. Por incrível que pareça ele não é do Conselho é apenas a pessoa que faz a ata, ou seja, um secretário. Surreal é pouco.

O presidente da UAB, Daltro da Rosa Maciel, fez sua fala na defesa dos direitos adquiridos. Disse que o passe livre, aos domingos, é um direito da população e se há insegurança que o poder público dê segurança ao transporte.

E o povo fala

Em nome dos portadores de necessidades especiais (PNEs), Tibiriça Vianna Maineri, falou, por meio da língua de sinais, que o Passe Livre melhorou a vida das pessoas portadoras de deficiência. Segundo ele cerca de 10% dos portadores de necessidade utilizam o passe livre, “o passe livre é importante para que os PNEs possam se inserir na vida em sociedade”, falou .

Saíram na defesa do passe livre para os aposentados os integrantes da UAB Valdir Pierozzan e Juçara de Quadros. Pierozzan foi enfático ao afirmar que os aposentados já contribuíram muito com a sociedade “e agora querem tirar o passe do aposentado?”, indagou o líder. Juçara questionou a posição da Visate que afirmou que havia um usuário que utilizou o passe livre 40 vezes num dia. “Querem considerar o caso de uma pessoa e achar que todo mundo é igual?”.

Três estudantes usaram a palavra. A acadêmica de direito Cibele Baginski falou que estudantes que fazem um número maior de disciplinas acabam não tendo passagens suficientes durante todo o mês. O também acadêmico de Direito e Coordenador de Integração Estudantil do DCE, Leonel Ferreria, defendeu a manutenção da meia passagem estudantil e sua ampliação para passe livre para os estudantes do ensino fundamental. A posição do integrante do DCE deixou atônitos alguns estudantes presentes, pois era a primeira vez, em bastante tempo que o dirigente tinha uma posição na defesa dos interesses dos acadêmicos. Por fim o secretário geral da União Estadual de Estudantes, Cristiano Cardoso, questionou os presentes: “quem deve pagar o preço da redução do valor do transporte? São os idosos, estudantes e PNEs?”.

A presidente da Assembleia Geral da UAB, Tânia Menezes, afirmou que quando a entidade propôs discutir as gratuidades o objetivo não era de tirar os benefícios. Questionou, também, que não há técnicos disponíveis para fazer uma avaliação das planilhas de aumento das passagens. Luiz Pizzetti, presidente de honra da UAB, falou que os direitos adquiridos só são mantidos se as pessoas se mobilizarem.

E os vereadores?

Falaram 6 vereadores. Renato Nunes, Ana Corso, Denise Pessoa, Renato de Oliveira e Mauro Pereira se posicionaram contrários a retirada das gratuidades. Renato Nunes foi ainda mais longe. Ele disse que quando a proposta de renovação do contrato da Visate foi discutida na Câmara a promessa era que iria melhor a prestação do serviço e que iria baratear as passagens. “Mudou o ano e a história mudou”, indignou-se o vereador. A vereadora Ana Corso lembrou que o passe livre aos domingos foi aprovado durante o governo Pepe Vargas e foi uma conquista da população. Denise Pessoa demonstrou preocupação com o valor da tarifa, “se hoje com algumas linhas integradas o impacto é grande na passagem, quanto custará a tarifa quando tudo for integrado?”, questionou a vereadora.