segunda-feira, março 23, 2009

A mudança que não acham necessária

A vida realmente é uma caixinha de surpresas. Enquanto o mundo inteiro clama por mudanças existem pessoas que defendem a continuidade. Os exemplos são inúmeros das necessidades de mudar a sociedade e o jeito de fazer as coisas. Os governos antes neoliberais, sofreram uma pesada derrota em seu projeto com a crise provocada pela sua própria ideologia. Resultado? Mudar o sistema financeiro. Impor um controle maior aos bancos e aos especuladores. Até o impensável vão fazer, estatizações de bancos e empresas.

Na onda de mudança fez com que o belicoso (para ficar no politicamente correto) Bush, desse lugar ao diplomático Obama. Mudou a América Latina. Cada vez mais presidentes de esquerda (tá de centro-esquerda para contentar os mais ortodoxos). O último exemplo disso foi o presidente de El Salvador, Mauricio Funes, da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional que já foi um grupo de guerrilha.

Esse preâmbulo é para constatar que a mudança, além de bem vinda é necessária. Então porque alguém imporia uma barreira para isso? Eu também não sei a resposta, mas a pergunta me deixa intrigado. Tudo começou numa tarde de sábado, quando participei de uma reunião onde estaria sendo discutido, o pretenso programa para uma chapa que concorreria as eleições de uma entidade.

Bom, aí já tem uma coisa errada. Estava discutindo programa depois de haver a discussão sobre a política de alianças. Já estava certo que haveria uma aliança tática e se manteria uma direção, que apesar de ter problemas, taticamente falando, era melhor do que estar fora. Beleza então. O que podemos fazer para melhorar a atuação da tal diretoria? Fiz uma fala onde apontei alguns problemas na condução das lutas da tal entidade. A necessidade dela se posicionar de forma mais independente e a importância de discutirmos uma nova cultura política de atuação no movimento.

Faço aqui um parênteses pois discutir uma nova cultura política é uma prática da organização política a qual milito, e esse é o principal diferencial de atuação nos movimentos e é o que ainda me faz acreditar que alguma coisa pode ter jeito na política, pois somos sujeitos da transformação, logo somos responsáveis por mudar o que achamos errado.

A minha fala foi até bem recebida pelos demais participantes da reunião. Alguns criticaram alguns pontos, outros concordaram com outros, mas o que mais me deixou intrigado foi a posição da pessoa que coordenava a reunião e pertence, paradoxalmente, a mesma organização. Pasmem, ele afirmou que como as pessoas passam muito tempo no movimento não podemos mudar a cultura política. Em resumo temos que fazer as coisas do mesmo jeito!

Não acreditei. A principal crítica é o uso proselitista do movimento. É a política do favor, do jeitinho. E aí alguém diz que isso não pode mudar. E esse alguém está em poder de tomar decisões e representar um grupo maior ainda. Repito, não acreditei.

Quando o pragmatismo no movimento chega até o ponto de você achar natural o desvio ético é que alguma coisa está muito errado. Eu fico pensando. É tão importante o poder que ele não pode ser relevado nem para manter a consciência? É tão fundamental ser direção que há o risco de negar tudo o que defende? Não consigo as respostas para isso, espero que os leitores desse texto me ajudem nos comentários.

Ao final da reunião não tive dúvida encontrei um representante da "velha política", na pior definição do termo.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Simpons tem nova abertura em HD

Voltei aos posts. Acho que será um bom início. Os Simpsons uma das séries de maior tempo de duração na TV mundial acaba de ganhara uma nova abertura, agora em alta definição. A nova abertura traz a mesma sequência da apresentação dos personagens, entretanto ela acrescenta uma enormidade de elementos novos. Como exemplo tem o Leny caindo da escada quando coloca a placa de 3 dias sem acidentes, uma cena que revela o que acontece com a barra radiotiva que o Homer joga para fora do carro e várias outras.

Bom não vou estragar a surpresa. Abaixo está a janela do youtube para vocês conferirem a abertura. Bom divertimento




A propósito o Bart está escrevendo no quadro: "HDTV vale cada centavo"

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Decepção

Dois mil e nove não começou muito bem, pelo menos para o meu computador. Hoje de manhã ele teimou em não inicializar. Na verdade não é a primeira vez que isso acontece e já está virando rotina. Agora fui obrigado a fazer um feriado forçado. O ruim de depender da tecnologia é não poder usar as ferramentas para o seu trabalho.

Bom isso é o custo de comprar equipamento usado. Já tô pensando que foi um péssimo negócio, mas fazer o que. É da vida. Enquanto isso estou usando o meu micro "velho". Muitos anos de uso e pouquíssimos problemas. Fica aí uma imagem de como deve estar o meu micro.

Ah, ele foi para o conserto. Vamos ver o que vai acontecer.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

A midia caxiense tem nível, mas....

Dois fatos recentes me fazem questionar o papel da mídia caxiense. Você pode dizer: "Sim, que novidade", mas o que surpreende, nesses fatos, é que caiu a fachada de mídia "imparcial".

O primeiro fato é a cobertura do reajuste do transporte público da cidade. Os principais veículos de comunicação da cidade divulgaram a informação que o prefeito em exercício, Alceu Barbosa Velho, promoveu uma ampla negociação com os conselheiros chegando a ameaçar que vetaria um reajuste maior que R$ 2,20. Bom realmente o Secretário da Fazenda do Município, Carlos Antônio Búrigo, recebia o tempo todo ligações no celular. O maior problema é que apenas quem estava lá viu isso. Agora vem o problema. Nenhum veículo de imprensa, além do Jornal dos Bairros e do cinegrafista da UCSTV estavam lá. De onde saiu as informações, então, para essa história? Já é sabido que a mídia é extremamente oficialista. Copiam releases, buscam as fontes governamentais, ou seja, fazem o caminho mais fácil. Agora ao ausentarem-se de acompanhar uma reunião que aumentaria o valor da passagem de ônibus (uma pauta obvia) demonstra o descaso com a verdade. Nesse caso nenhuma matéria abordou alguns acontecimentos da reunião:

1 - A proposta apresentada pelo conselheiro do DCE não foi colocada em votação. A proposta exigia que a Visate e a Secretaria apontasse o que iria fazer com o dinheiro que entraria a mais por conta do reajuste;
2 - Cerca de 30 pessoas acompanharam a reunião representando um série de entidades;
3 - Se as planilhas de aumento são tão corretas pq a própria Visate votou no valor de R$ 2,20 se ela pedia um valor muito maior?
4 - O patrolamento da reunião, promovido pele presidente do Conselho Eder Dallago, que queria definir tudo em 20 minutos.

Além de não terem visto isso tudo, a mídia ainda chega a conclusão que votar o projeto de reajuste no dia 23 de dezembro não é fazer isso no afogadilho. Durma-se com um barulho desses. Na foto acima você poderá ver o que ninguém da imprensa oficial de Caxias viu. A reunião do Conselho Munciipal de Trânsito e Transportes.

Acho que ele quer o lugar do titular

O outro exemplo beira a surrealidade. Um "radialista" caxiense conhecido pela alcunha de seus parcos longos cabelos, pilota um programa diário nas tardes de uma grande emissora de rádio de Caxias do Sul. Esse programa brinda-nos com horas e horas de péssimos exemplos de "como fazer comunicação". Recentemente esse "radialista" saiu com uma pérola. Na semana passada na coluna Mirante do Jornal Pioneiro, havia um comentário sobre o Orçamento Comunitário. Roberto Nielsen, que interino na coluna, tecia algumas críticas sobre o OC apontando que o processo perdeu participação, caiu em qualidade, ou seja, que a prefeitura estava esvaziando o OC para determinar seu fim.

O interessante disso tudo é que o tal "radialista" fez uma crítica contundente a esse comentário. Até aí não teria problema. O problema é que ele disse que parecia que o interino queria o cargo do oficial!!!!!???? Bom o nobre "radialista" esqueceu que o interino é apenas o Editor Chefe do Pioneiro, ou seja, é o chefe de todos os jornalistas.

Como uma pessoa com todo esse conhecimento tem um programa de rádio, diário, e por horas e horas enche o ouvido das pessoas com pérolas como essas? A resposta é simples. Ele comprou o espaço. Dinheiro faz a maior bobagem do mundo se transformar numa citação intelectual.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Recomeçar

Nossa, faz muito tempo que eu não atualizo esse blog. Por várias vezes eu pensei se valia realmente a pena continuar escrevendo. Afinal de contas por que alguém cria, e mantém, um blog? Além da resposta tradicional: "Porque todo mundo tem um", acho que ele, o blog, pode ser um espaço interessante para a troca de informações.

Há hoje mais blogs escrevendo sobre notícias do que jornalistas. Isso dá a essa ferramenta um poder de alcance que nunca antes esteve na mão das pessoas comuns. A verdade agora passa a ter várias versões e não só a dos grandes veículos de comunicação. Claro, muita gente copia o que sai no jornal (ninguém disse que o mundo é perfeito), mas a possibilidade de ler algo diferente é extremamente tentadora.

Então é isso, resolvi voltar a escrever, e dessa vez estabelecer um desafio:

Postar toda a segunda, quarta e sexta-feira.

Acho que esse desafio de regularidade vai fazer com que as coisas por aqui fiquem mais agitadas, e vai fazer com que eu não deixe esse blog tanto tempo sem atulizações.

Bom para um primeiro post acho que tá bom por enquanto. Vamos começar devagar para não cansar logo.

Obrigado a tod@s meus leitores. Um grande abraço.

sexta-feira, maio 09, 2008

Por que não te calas?


A frase que está no título foi proferida pelo Rei Juan Carlos, da Espanha, para o presidente venezuelano Hugo Chaves durante um bate boca durante a Cúpula Ibero-Americana no ano passado, mas ela serviria muito bem para o Senador do DEMO/RN, José Agripino Maia. A Ministra Dilma Rousseff compareceu em uma audiência na Comissão de Infra-Estrutura do Senado Federal para falar sobre o Programa de Acelaração do Crescimento, PAC.
Entretanto o choro dos oposicionistas era perguntar-lhe sobre o tal Dossiê com os dados, sigilosos, dos cartões corporativos do governo FHC (aqueles que mostram os gastos em vinhos franceses e caviar). A ministra disse que responderia a qualquer pergunta sem problema nenhum, nisso aparece o estabanado Senador Agripino Maia. Em sua pergunta ele faz uma considerando se reportando a uma entrevista, concedida por Dilma, onde ela dizia que durante a ditadura ela mentiu e sugeriu que ela poderia mentir novamente.

A resposta da Ministra foi contundente, "eu fui barbaramente torturada, senador. Qualquer pessoa que ousar falar a verdade para os torturadores, entrega os seus iguais. Eu me orgulho muito de ter mentido na tortura, senador". Dilma afirmou ainda que "não há possibilidade de diálogo" quando se tem pela frente o "pau de arara, o choque elétrico e a morte".
Melhor do que ler só ouvindo a resposta, no vídeo ao lado.

No final da resposta Dilma afirma que durante a ditadura militar ela e Agripino estavam em lados diferentes, e isso é pura verdade. A biografia de Agripino Maia é recheada de momentos onde ele foi beneficiado pela ditadura militar. Ele ingressou na carreira política em 1979 como Prefeito Biônico de Natal (nomeado pela ditadura). Seu pai e primo foram governadores também indicados pelo regime o que demonstra a proximidade da família com o regime de exceção. Ele também é dono de uma emisora de TV e de emissoras de rádio no Rio Grande do Norte. Sua trajetória é inegável. É um dos grandes filhotes da ditadura militar. Com certeza não tem integridade moral para estar na mesma sala de pessoas que lutaram e sofreram para garantir a democracia no país.

sexta-feira, abril 25, 2008

Aprendendo a multiplicar

Achei esse vídeo no Portal deVídeos do Terra. É um jeito bem interessante de fazer multiplicação, bastante lúdico, e dispensa decorar a tabuada. Confiram.


terça-feira, abril 22, 2008

Zeca Baleiro é show

Músico, cronista, colecionador de camisetas de times de futebol e uma pessoa super simpática. Esse é o Zeca Baleiro que fez show na UCS no último dia 17 de abril. O show foi uma promoção do DCE e marcou o final do Trote Cultural do primeiro semestre de 2008. Um público de cerca de 1.700 pessoas assistiram os antigos sucessos e as novas músicas desse maranhense que já é um dos ícones da música brasileira.

Diferente de tantos outros músicos ele tem uma grande empatia com o público. Já durante a coletiva de imprensa, que durou quase 1 hora, ele falou sobre música, internet, movimento estudantil, hip hop, futebol e de seus próximos projetos. Ainda sobrou um tempo para jogar uma partida de sinuca.

No show não foi diferente. Quando foi presenteado com uma camiseta do Juventude ele lembrou que tinha recebido, horas antes, uma do Caxias. Entre um sucesso e outro ele conversava com a platéia. Os mais persistentes até conseguiram autógrafos no final do show.

Mais um detalhe importante, os ingressos custaram R$ 7,00 para estudantes e R$ 15,00 para não estudante. Valor muito mais baixo que a maioria da entrada das casas noturnas de Caxias do Sul. Quem não foi perdeu uma grande oportunidade.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Você viu a Lua?

Você olhou para o céu ontem (20/02)? Não! Então perdeu um espetáculo ímpar. Ontem ocorreu um eclipse lunar, um dos mais brilhantes e o último até o dia 21 de dezembro de 2010, e que não terá visibilidade ideal no Rio Grande do Sul.

O eclipse alcançou seu ponto máximo às 00h01min, na verdade já era dia 21. O disco lunar ficou com uma cor vermelho-cobre causada pela sombra da Terra projetada no nosso satélite natural. A cor é derivada, principalmente, da grande quantidade de partículas na atmosfera terrestre.

Ontem felizmente o tempo ajudou, e apesar de ter algumas nuvens o fenômeno foi facilmente observado. Aqui do lado tem uma tentativa de fotografia do eclipse. Descobri, na verdade já sabia, o como é difícil fotografar as estrelas, principalmente com um equipamento com poucos recursos.

Bom se quiser ver uma foto melhor clique aqui que tem muuuuuuuuitas.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Um ano no ar

Hoje completa um ano que esse blog foi ao ar. Eu prometi a mim mesmo que ele teria uma maior periodicidade, mas nem sempre há o clima propício para escrever. Escrever não sendo por obrigação é muito mais difícil.

Mas o objetivo desse
post é compartilhar as publicações mais lidas nesse um ano. Em resumo foram:

1.961 visitas
1.340 visitantes diferentes
2.949 página exibidas
No dia 26 de junho
82 acessos foram feitos. Foi o dia de maior audiência

Internautas de
150 cidades diferentes, do mundo todo, acessaram o blog. As 10 mais freqüentes foram:
Caxias do Sul, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, São José dos Campos, Belo Horizonte, Salvador e Los Angeles.

Um dos maiores desafios foi escrever os 5 artigos que tratam da história do DCE/UCS desde o começo da década de 90. Ficou um tópico para trás. Justamente o que fala da situação atual. Acho que é mais difícil escrever sobre a atualidade, mas vou tentar encarar esse desafio e completar a saga.

Segue a abaixo os 10 mais do site. Para chegar a essa lista foi utilizado com critério o número médio de acessos. Reveja-os, boa leitura e aguardem os novos
posts. Não entraram os do mês de dezembro, mas esses estão logo abaixo.

1° - O início da era Pauletti
2° - O DCE além da luta judicial - as gestões de 1992 a 1995
3° - A luta contra as mensalidades - as consignações
4° - E a direita assumiu o DCE
5° - A história que faltou
6° - Se é tão bom, por que se explicar?
7° - Jesus Cristo cantando "I will survive"
8° - Movimentação é eleita pela terceira vez para o DCE
9° - A luta por mais uma Universidade Pública
10° - A Infanticida Marie Farrar

sábado, dezembro 22, 2007

Greve de fome contra ou a favor do povo do Nordeste?

Nessa semana encerrou-se mais um capítulo de um longa novela. O Bispo Dom Cappio encerrou uma greve de fome, que durou 23 dias, contra a transposição das águas do Rio São Francisco.

A transposição do São Francisco é um projeto orçado em R$ 4,5 bilhões e que prevê a construção de dois canais que totalizam 700 km de extensão. A idéia da transposição do São Francisco vem desde Dom Pedro II porém, naquela época, faltavam recursos de engenharia para tal obra. O projeto foi abandonado mas não esquecido. Ele foi discutido durante os governos de Getúlio Vargas, em 1943, e de Fernando Henrique Cardoso, em 1994.

O projeto prevê a construção de dois canais, sendo que um deles, o leste, terá cerca de 210 km, e trará água ao estado de Pernambuco e levará água também para a Paraíba. O canal norte, por sua vez, terá 402 km, e também beneficiará Pernambuco e Paraíba, mais o Ceará e o Rio Grande do Norte. Com previsão de beneficiar 12 milhões de pessoas, o projeto prevê a captação de 1,4% da vazão de 1.850 metros cúbicos por segundos (m³/s).

Qual o impacto desse projeto?

Juntamente com a Itaipú e a Transamazonica, a transposição do São Franscisco será uma das maiores obras de engenharia do Brasil. É claro que uma obra dessa magnitude causa impactos em toda a região. O governo federal apresentou um relatório de impacto ambiental da obra. Ele foi divulgado pela Agência Brasil. Abaixo segue alguns ítens:

Impactos positivos:
  • Aumento da água disponível e diminuição da perda devido aos reservatórios.
  • Geração de cinco mil empregos durante a construção da obra (quatro anos), aumentando a renda e o comércio das regiões atingidas.
  • Abastecimento de até 12,4 milhões de pessoas das cidades.
  • Abastecimento rural com água de boa qualidade.
  • Extinção de problemas trazidos pela seca, como a escassez de alimentos, baixa produtividade no campo e desemprego rural.
  • Irrigação de áreas abandonadas e criação de novas fronteiras agrícolas.
  • A qualidade da água dos rios e açudes das regiões receptoras será beneficiada com as águas do São Francisco.
  • A oferta de água irá ajudar a fixar cerca de 400 mil pessoas no campo.
  • Redução de doenças trazidas pelo consumo de água inapropriada, reduzindo a pressão na infra-estrutura de saúde.
Impactos negativos:
  • Perda do emprego da população nas regiões desapropriadas e dos trabalhadores ao término das obras.
  • Risco de perda de biodiversidade de plantas e animais aquáticos nos rios da região.
  • Piora na qualidade de vida dos trabalhadores da região.
  • A desapropriação das terras e o êxodo das regiões atingidas alterará o modo de vida e os laços comunitários e pode provocar conflitos sociais.
  • Circulação de trabalhadores por terras indígenas de duas etnias: Truká e Pipipã.
  • Pressão na infra-estrutura urbana nas cidades que irão receber os trabalhadores.
  • A região do projeto possui muitos sítios arqueológicos, colocando-os em risco.
  • Desmatamento de 430 hectares de terra e possível desaparecimento do habitat de animais.
  • Introdução de espécies de peixe prejudiciais ao homem na região.
  • A diminuição dos volumes dos açudes provocará a redução biodiversidade de peixes.
  • Alguns rios não têm capacidade para receber o volume de água projetado, inundando os riachos paralelos.
E a greve de fome?

Longe de todas as discussões sobre o projeto, o grande tema da mídia e dos movimentos sociais foi a greve de fome do Bispo Dom Luiz Cappio. CNBB, MST, ecologistas, partidos de esquerda e de direita saíram no socorro de Dom Luiz. Não é a primeira vez que ele faz uma greve de fome contra o projeto. Da primeira vez ele recebeu o apoio de ACM e do Governador do Sergipe João Alves, chefe do PFL local. Bernardo Kucinski escreveu num artigo para a Agência Carta Maior
que é difícil encontrar uma explicação para a segunda greve de fome de Dom Luiz. "Na primeira greve de fome contra a transposição do Rio São Francisco, ele ainda falava em negociação. Agora não propõe negociar nada. Exige que o Exército abandone o canteiro de obras e o projeto seja arquivado.", escreve Bernardo. Ele aponta também que os problemas enfrentados pelo São Francisco são comuns em outros rios que foram atacados pelo desmatamento, açoreamento dos leitos e poluição, "A diferença é que o Rio São Francisco ganhou um projeto que, com a transposição de uma pequena fração de suas águas, poderá transformar o cenário de toda uma região, hoje miserável.", escreve.

O Le Monde Diplomatique, edição brasileira, também entrou na polêmica. Com dois artigos, um escrito pelo teólogo Leonardo Boff e outro pelo filósofo e professor da UERJ Rodrigo Guéron, travam um série de argumentos sobre as ações do Bispo Dom Luiz e sobre o projeto de transposição. Estranhamento o texto de Leonardo Boff é recheados de lugares comum, palavras de efeito cristãs e muito poucos argumentos sólidos.

É de estranhar que um elaborador tão qualificado quanto Leonardo Boff só tenha conseguido argumentos tão fracos. Em um trecho Leonardo Boff lança Dom Luiz para a canonização: "O amor ao próximo e ao sofredor é a regra de ouro, a suprema norma da conduta verdadeiramente humana — porque abre desinteressadamente o ser humano ao outro, a ponto de dar a própria vida para que ele também tenha vida, como o está fazendo o bispo Dom Cappio, figura de eminente santidade pessoal e de incondicional amor aos deserdados do vale do São Francisco". Só isso?

Em contrapartida Rodrigo Guéron aponta que os apoiadores de Dom Luiz não podem ser chamados de esquerda pois apoiam um dos mais profundos conservadorismos brasileiros. Um esquema que glorifica a fome, sofrimento e a morte. Em outro trecho ele é taxativo: "O ato do bispo é, em primeiro lugar, um culto à fome, ao sofrimento e em última análise à própria morte. O bispo se auto-exalta, e é exaltado, como alguém que seria mais virtuoso que os outros porque sofre e passa fome. Isso o faria uma espécie de portador da verdade. Ou seja, fome e sofrimento seriam uma espécie de passaporte para a bem", sentencia.

Os textos são bem interessantes e fogem bastante da cobertura da grande mídia sobre esse assunto. Uma boa dica de leitura nesse final de ano.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Novo filme do Gerbase pode ser visto pela net

Carlos Gerbase é realmente inquieto. Depois de Tolerância e Sal de Prata, Gerbase tinha pressa em fazer mais um longa. Com a idéia de que o cinema brasileiro necessita de mais produções de baixo custo, em suporte digital e que dialoguem com o grande público, Gerbase escreveu um roteiro de abusa da dramaturgia.

Para a Casa de Cinema de Porto Alegre, 3 efes, é mais um momento para provar o potencial do cinema gaúcho. O filme foi a primeira inciativa profissional de vários profissionais formados pelo Curso de Produção Audiovisual da PUC/RS em 2006.

As imagens foram captadas com uma câmera mini-DV Panasonic AGDVX-100 e um kit de luz portátil Arri. O som direto foi gravado em fitas DAT. Toda a montagem da imagem foi realizada em ilha de edição Final Cut Pro. O que Gerbase nos prova é que é possível fazer cinema de qualidade com baixo orçamento.

Outra inovação foi o lançamento. No dia 7 de dezembro ele estava disponível nos cinemas, até aí sem novidades. Entretanto ele também podia ser comprado em DVD, passou na TV Aberta (TV COM), na TV paga (Canal Brasil) e também na internet pelo site do Terra, onde ele está dividido em 5 partes.


O filme

O Filme é baseado na teoria do professor Valadares que a humanidade tem 3 apetites: Fome, Fasma e (F) Sexo (entenderam o F?), daí vem os 3 efes do título. Bom fome e foda se explicam por si mesmo, a Fasma é uma palavra que vem do grego e tem a ver com a vida em sociedade – segundo a definição trazida na abertura do filme, é ‘a representação da realidade’ ou ‘simulacro’ ou ainda ‘signo’


“3 Efes" é uma comédia dramática que aborda as dificuldades – afetivas, financeiras e culturais – enfrentadas por um grupo de personagens que circula em torno de Sissi, uma jovem universitária que sustenta, a duras penas, o pai viúvo e o irmão pequeno.

Nessa situação de dificuldade, Sissi recorre aos conselhos de sua tia, Martina, uma dona-de-casa entediada que, em meio a uma crise no seu casamento com o publicitário Rogério, fica irresistivelmente atraída por William, um simples catador de papel.

Rogério também está em apuros: sua última campanha publicitária deu errado, e agora ele precisa dar um jeito de salvar seu emprego – de qualquer jeito. Assim, sob todas essas pressões do cotidiano, os personagens acabam tomando importantes decisões que vão mudar muita coisa entre eles – e também provocar algumas situações inusitadas.

“3 Efes" constrói uma história com personagens de uma grande cidade brasileira, Porto Alegre, vivendo dilemas éticos comuns a muitas pessoas de qualquer canto do mundo: até onde se pode ir para manter um emprego ameaçado, sustentar uma família na fronteira da fome, ou dar vazão a desejos que a sociedade condena?

Bom vale a pena conferir e não tem desculpa para não assistir e prestigiar um dos grandes diretores gaúchos.
Para finalizar tem uma entrevista bem legal com o Gerbase no blog do Luiz Zanini do Estadão.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Queen disponibiliza música nova gratuitamente

O Queen e Paul Rodgers disponibilizaram para download gratuito em seu site oficial a nova canção "Say It's Not True", como forma de marcar o dia mundial de luta contra a AIDS (1 de Dezembro).

A música foi escrita como homenagem a Nelson Mandela e foi apresentada oficialmente no show de lançamento da campanha
46664, que tem como objetivo combater a disseminação da AIDS no continente africano. O autor da música foi o baterista Roger Taylor que disse em uma entrevista que disponibilizando a canção gratuitamente esperava ajudar a campanha do Nelson Mandela, "ninguém está livre da infecção. Temos de ter cuidado, de nos protegermos e àqueles que amamos. A canção segue na linha da mensagem pessoal do Sr. Mandela: está nas nossas mãos pôr um ponto final nisto", disse o músico.

A música também é uma homenagem a Fred Mercury, vocalista do
Queen, que morreu vítima de AIDS há 16 anos.

O que é o 46664?
O 46664 é uma campanha que busca ser uma resposta da África ao avanço da epidemia de AIDS. O projeto concentra-se na educação de jovens e na arrecadação de fundos que são utilizados unicamente no combate à AIDS.

A campanha recebeu esse nome como uma lembrança ao número que foi designado à Nelson Mandela na prisão. Mandela foi preso em 1964 e ficou 27 anos em
Robben Island, uma prisão na Cidade do Cabo, Africa do Sul. Sua acusação era a luta contra o aphartied. Como os prissioneiros de Robben Island não eram chamados pelo nome, os anos e o tempo de prissão acabaram transformando o número 46664 como sinonimo de Mandela.

Essa era uma das estratégias do regime do aphartied, transformar as pessoas em números. Foi justamente por esse motivo que Mandela resolveu utilizar o seu número como nome da campanha, para lembrar o mundo todo que a AIDS não são apenas estatísticas e sim existem pessoas por trás dos números de infectados e mortos.

Clique aqui para baixar a música. É preciso preencher um formulário com nome, e-mail e país (isso serve para apoiar a campanha)

Para ver o vídeo-clipe clique aqui:

Abaixo a letra da música
Say It's Not True

The harder we play
The faster we fall
When we think that we know it all
We know nothing at all

The letter arrives
Like a bolt from the blue
So what’s left of your lives
All your dreams lost to you

Say it ain’t true
Say it today
When I open my eyes
Will it all go away

Say it’s not true
Say it for real
Can’t be happenin’ to you
Can’t be happenin’ to me

It’s hard not to cry
It’s hard to believe
So much heartache and pain
So much reason to grieve

With the wonders of science
And all the knowledge we’ve stored
Magic cocktails for lives
People just can’t afford

You can say it’s not true
You can say it’s not right
So hard to believe
The size of the crime

Say it’s not true
Say it’s not real
Can’t be happenin’ to you
Can’t be happenin’ to me

segunda-feira, novembro 05, 2007

Estudantes ocupam reitoria da UCS

“Esse aumento eu não agüento”. Essa era a chamada para a mobilização que parou a Universidade de Caxias do Sul (UCS) no último dia 29 de outubro. O ato culminou com a ocupação do prédio da reitoria.

A motivação para o ato, e da ocupação, foi o aumento de 6,3% das mensalidades. Esse aumento foi aprovado no dia 19 de outubro pelo Conselho Universitários (Consuni) tendo apenas 5 votos contrários. Nessa mesma reunião o DCE solicitou que fosse dado um prazo maior para pode discutir alternativas de cortes e investimentos com os estudantes. Essa proposta também foi rejeitada. Junto a isso a Universidade anunciou para o próximo período a retirada do desconto de 20% das licenciaturas conquistada no ano anterior pelo Movimento Estudantil.

O ato contra o aumento das mensalidades que iniciou no Centro Cívico da Universidade contou, com cerca de mil pessoas que seguiram até o Bloco A (Reitoria). No caminho os estudantes que ainda estavam em sala de aula eram convidados a se unirem na caminhada.

Com a chegada no Bloco A os estudantes puderam apresentar suas reivindicações e chamaram pela presença do Reitor. Dentro da Reitoria o DCE e um grupo de estudantes encontrava-se reunido com o Reitor e Pró-Reitores. Com a chegada do ato os estudantes participantes da reunião comunicaram ao Reitor que a reitoria seria ocupada pelos estudantes. Além disso os manifestantes chamavam o Reitor para ouvir suas reivindicações.

Reitor e Pró-Reitores fizeram falas na manifestação e escutaram, também, as reivindicações do movimento estudantil. Cerca de 40 pessoas passaram a noite no saguão da reitoria.

Segundo dia, barrar a reunião do Conselho Diretor
O objetivo do segundo dia de ocupação era barrar a votação, no Conselho Diretor (órgão de decisão da Fundação a qual a UCS está vinculada), do reajuste das mensalidades. Esse era o principal ponto da pauta de reivindicações. Durante todo o dia aconteceram passagens em sala de aula para mobilizar os colegas para um ato em frente a sala onde a reunião aconteceria.

Às 16 horas houve a primeira reunião entre a reitoria e os ocupantes. Foram apresentadas a pauta de reivindicação e o Reitor se comprometeu a solicitar a retirada de pauta do reajuste das mensalidades (o Reitor é um dos 9 membros do Conselho Diretor). Os estudantes reunidos no Bloco A seguiram para a frente da sala da Fundação entoando palavras de ordem como: "Esse aumento eu não
aguento, não vou pagar nenhum por cento". Um grupo de 6 representantes da ocupação entrou na reunião do Conselho Diretor e apresentou reivindicações como a não votação do aumento de mensalidades e a representação estudantil no Conselho Diretor. O ato na frente da FUCS acabou apenas quando os representantes dos estudantes saíram da reunião anunciando que o aumento não seria votado, respeitando a reivindicação de mais tempo para a comunidade acadêmica aprofundar o debate e realizar seus processos, como o Orçamento Universitário do DCE. Nesse momento o número de ocupantes já havia dobrado.

Terceiro dia: A resposta à pauta de reivindicações
O terceiro dia foi de muita espera. A reitoria já havia se comprometido a publicar duas portarias (que fazia parte das reivindicações). Uma criava uma comissão para elaborar um Plano de Assistência Estudantil e discutir o reajuste dos salários dos bolsistas e estagiários da instituições e a outra para elaborar uma política de assistência aos estudantes inadimplentes.

Somente às 16 horas a reitoria apresentou a resposta a todos os pontos da pauta de reivindicação. Entre eles o mais importante
garantia a não retirada dos descontos de 20% para as licenciaturas. Entretanto alguns pontos ainda estavam meio nebulosos o que necessitou de uma discussão mais profunda e a ocupação durou mais um dia.

Quarto dia – A desocupação
O quarto dia começou com muita chuva e neblina (verão na serra gaúcha). Mas os ânimos estavam bem quentes. Na avaliação dos ocupantes 7 dos 11 pontos de pauta tinham sido alcançados. Os quatro restantes ficaram na pauta de discussão do DCE com a Reitoria. As conquistas alcançadas:

1 – Não votação do reajuste de 6,3% pelo Conselho Diretor, a transferência dessa decisão para o dia 22 de novembro e a realização de uma nova rodada de discussões para que os estudantes possam apresentar suas demandas de investimento;

2 – Manutenção do desconto de 20% para as licenciaturas;

3 – A Universidade incluirá no seu plano de investimentos as propostas elencadas pelo Orçamento Universitário realizado pelo DCE;

4 - - Elaboração de um plano de Assistência Estudantil com orçamento específico, com um espaço na UCS que se preocupe e implemente a política de assistência, aproximando os estudantes, Das e DCEs;

5 - Aumento nas bolsas de trabalho da UCS e das bolsas de graduação;

6 - Criação de um fórum permanente de negociação dos inadimplentes;

7 – Discussão sobre o novo contrato do Hospital Geral, reestruturação do ensino do Hospital Escola e garantia que o HG mantenha-se 100% SUS.

Para saber mais sobre o ato acesse:

Álbum de Fotos:
Manifesto da Ocupação:
Vídeo 1
Vídeo 2
Vídeo 3
Vídeo 4
Vídeo 5

quinta-feira, outubro 18, 2007

O mercado regula tudo? O Nobel acha que não.

Uma visão, equivocada, dos liberais e até dos neo-liberais é que o mercado seria o regulador perfeito da economia. A luz de Adam Smith eles defendem que o Estado deve ser mínimo e o único regulador da economia deve ser a oferta e a procura.

Ontem, 16 de outubro, a Real Academia Sueca de Ciências disse que a história não é bem assim. Como? Ela premiou com o Prêmio Nobel de Economia 3 economistas que acham que devam existir estratégias para a regulação do mercados.

Ao premiar os economistas Leonid Hurwicz, Eric S. Maskin e Roger B. Myerson (fotos ao lado), pela elaboração e pelo desenvolvimento de uma teoria do desenho de mecanismos de mercado, a instituição que escolhe o Prêmio Nobel, faz uma crítica às teses originais de Adam Smith. A Real Academia explicou: "A clássica metáfora de Adam Smith da mão invisível refere-se a como o mercado, em condições ideais, garante a alocação eficiente de recursos escassos. Mas, na prática, as condições não são geralmente ideais".

O trabalho dos três pesquisadores baseia-se na chamada Teoria dos Jogos que cria mecanismos para a distribuição igual em função dos interesses de cada um dos participantes. O principal alvo desses agentes reguladores seriam os serviços públicos que precisam ser garantidos, de alguma forma, levando em conta as necessidades dos cidadãos. Da Teoria dos Jogos todos devem lembra do Filme Uma Mente Brilhante, que conta a história do matemático americano John Nash, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1994. Os estudos de Nash construíram as bases para a constituição da OMC (Organização Mundial do Comércio), que é um órgão regulador das relações de comércio entre os países. Concordando, ou não, a OMC é um mecanismo de controle do capitalismo. Com maior grau de perversidade, no caso dos países industrializados, contra o em desenvolvimento, a OMC é a prova de que o livre mercado não existe.

Em uma entrevista para a Agência Reuters Eric S. Maskin diz que os mercados trabalham aceitavelmente com bens chamados por economistas de bens privados. "Se eu compro um carro, eu uso o carro, você não e o mercado de carros funciona muito bem. Mas há muitos outros tipos de bens, frequentemente importantes, que não são bem fornecidos pelo mercado. Frequentemente, são encabeçados por bens públicos", acrescentou.
Os mecanismos que eles sugerem podem incluir impostos para permitir a provisão mais eficiente de bens públicos. Outro modelo seria o de leilões, como o que foi feito recentemente com as estradas federais.

Pois é, mas o interessante é que nem Adam Smith acreditava que as empresas deveriam negociar livremente. Em um trecho do livro A Riqueza das Nações ele diz: "Pessoas do mesmo ofício raramente se encontram, mesmo que em alegria ou diversão, mas se tiver lugar, a conversa acaba na conspiração contra o público, ou em qualquer artifício para fazer subir os preços." Como se vê até o pai do liberalismo acreditava que deveríamos ter cuidado com o tal mercado.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Renato Russo o cronista de uma geração

Hoje faz 11 anos que Renato Russo não está mais entre nós. Vítima da AIDS, doença que contraiu em 1990, o líder da Legião Urbana foi mais do que um músico, foi um cronista da geração anos 80. Minhas lembranças do Legião Urbana remontam a música Geração Coca-Cola. Como esquecer os versos: "Vocês vão ver suas crianças derrubando o rei e fazendo comédia no cinema com as suas leis". Em 1986 frases como essas atingiam em cheio o sistema. O Brasil acabava de sair de um regime totalitário, mas a censura ainda rondava os discos, livros e filmes.

O Legião teve ousadia de fazer diferente. Era um rock pesado, a primeira banda do Renato foi a Aborto Elétrico que era uma banda punk, e conseguia ser até romântico (é só ouvir Eduardo e Mônica). A Legião Urbana conseguia sintetizar os anseios de uma geração que não tolerava mais o regime militar, a censura, que chamava diretas para presidente e que queria mudar o mundo. Quando o Legião lança seu primeiro disco, em 1985, eles chegaram a fazer um show em Caxias do Sul. Por incrivel que pareça eles abriram um show de uma banda gaúcha chamada Taranatiriça. Ninguém iria imaginar onde aquela banda que tinha como música de trabalho a Será, lembram?

Tire suas mãos de mim
Eu não pertenço a você
Não é me dominando assim
Que você vai me entender
Eu posso estar sozinho
Mas eu sei muito bem aonde estou
Você pode até duvidar
Acho que isso não é amor.

Passaram-se 11 anos do fim do Legião Urbana e a situação do Brasil pouco mudou. Letras como Que país é esse? parecem cada dia mais atuais. Legião é atemporal e isso pode ser visto pela nova geração de fãs da banda que nem tinham idade para comprar os discos ou ir aos shows quando Renato ainda era vivo.

Fã acho que é pouco para determinar o sentimento pelo Legião. Em um show no Gigantinho, Renato Russo quase não conseguiu cantar por que a galera cantava com ele todas a músicas. O grau de adoração que a figura dele e da banda criaram foi marcante para toda uma geração.

A música abaixo é do primeiro disco também ela não é tão pop, mas é muito legal. Divirtam-se





A Dança
Letra: Renato Russo


Não sei o que é direito
Só vejo preconceito
E a sua roupa nova
É só uma roupa nova
Você não tem idéias
P'rá acompanhar a moda
Tratando as meninas
Como se fossem lixo
Ou então espécie rara
Só a você pertence
Ou então espécie rara
Que você não respeita
Ou então espécie rara
Que é só um objeto
P'rá usar e jogar fora
Depois de ter prazer.

Você é tão moderno
Se acha tão moderno
Mas é igual a seus pais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz.

Você com as suas drogas
E as suas teorias
E a sua rebeldia
E a sua solidão
Vive com seus excessos
Mas não tem mais dinheiro
P'rá comprar outra fuga
Sair de casa então
Então é outra festa
É outra sexta-feira
Que se dane o futuro
Você tem a vida inteira
Você é tão esperto
Você está tão certo
Mas você nunca dançou
Com ódio de verdade.


Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar.

Nós somos tão modernos
Só não somos sinceros
Nos escondemos mais e mais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz.

quarta-feira, outubro 03, 2007

A luta por mais uma Universidade Pública

No dia 28 de setembro ocorreu uma reunião para eleger um comitê (uma reunião para tirar uma comissão, onde já ví isso?), pela Universidade Pública de Caxias do Sul. Nossa essa idéia é antiga. Quero fazer aqui um apanhado geral dessa discussão em nossa cidade.

De 1967 a 1999 Caxias do Sul contou apenas com uma instituição de ensino superior, a Universidade de Caxias do Sul, UCS, como todos sabemos a UCS teve seus altos e baixos, mas conseguiu superar todas as crises que ela passou ou que lhe atingiram. Um pouco desse processo de superação de dificuldades é a composição de seu Conselho Diretor, onde os entes públicos (Governo Federal e Governo Estadual) ingressaram sempre com contrapartidas de ordem econômica em algum momento da vida da instituição.

A partir de 1999 surge a Faculdade da Serra Gaúcha, FSG. Com a FSG quebra-se monopólio da UCS no ensino superior de Caxias do Sul. Deste momento em diante, fruto também da desregulamentação do ensino superior patrocinada pelo governo FHC, criam-se mais 5 instituições. Aqui não contamos as instituições de ensino à distância que se proliferam em cada esquina de nossa cidade. Isso nos mostra também outro lado da questão. A incrível demanda, represada, por ensino superior. As 8 instituições privadas até podem parecer que concorrem entre si, entretanto como a procura é muito maior que a oferta os estudantes não são beneficiados “nem de longe” pelas “regras do mercado” e estão entregues a própria sorte de valores cada vez mais elevados de mensalidades.

Nesse quadro insere-se a discussão de uma Universidade Pública, em Caxias do Sul. Essa luta começou com a intenção da Federalização da UCS. Na década de 80 um grande movimento, que conseguiu unificar a sociedade caxiense, quase conseguiu esse objetivo. O processo de federalização da UCS foi barrado por algumas forças políticas caxienses que não aceitavam o fato de perderem o “controle” da instituição. Isso, inclusive, parece ser parte integrante da cultura política de nossa cidade, ou seja, transformamos em privado tudo que é público.

Na década de 90 iniciou-se a luta pela estadualização. O deputado Beto Albuquerque, por duas vezes, apresentou um projeto de criação da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, UERGS. Nas duas vezes, durante o governo Britto, o projeto foi rejeitado. Um movimento, dessa vez menor do que o pela federalização, conseguiu que o Conselho Diretor da FUCS abrisse mão do patrimônio em favor do Estado, para a estadualização da UCS. O debate da UERGS é retomado em 1999 quando as Assembléia do Orçamento Participativo Estadual elegem-na como prioridade estadual. Nasce assim a UERGS, uma instituição multicampi com sedes regionais.

Mais recentemente, com a eleição de Lula para Presidente da República, reinicia o debate da federalização da UCS. Esse movimento estava repleto de lógica. Como o governo Lula aumentou os investimentos para as Universidades Públicas, freou a instalação de universidade privadas em qualquer esquina, criou o ProUni e começou a criar novas universidades (inclusive uma no RS, a UniPampa), surgiu a esperança de, que essa vez, conseguiríamos transformar a UCS em instituição pública. Mas surge aí as prioridades estratégicas do Ministério da Educação, entre elas a criação e fortalecimentos dos Centros Federais de Educação Tecnológica, CEFETs.

Esse foi o centro da discussão do dia 28. O Deputado Federal Pepe Vargas disse que apresentou uma proposta ao MEC para que o cronograma de implantação das escolas técnicas seja alterado, trazendo a escola de Caxias para 2009.

O papel de cada um

Embora não seja sua atribuição constitucional, o município de Caxias do Sul conta com uma lei, de 1966 com a última redação em 1974, que concede Bolsa de Estudos aos estudantes universitários. Essa lei não foi , até hoje, revogada, mas os valores não são repassados desde o último semestre do Governo Vanin (2° semestre de 1996). Já houveram várias propostas que vão desde a simples revogação dessa lei até a criação de um crédito educativo municipal. Todas as iniciativas estão paradas na Câmara de Vereadores. Mais recentemente o Governo Federal abriu edital para a instalação de 10 CEFETs no Rio Grande do Sul. Os municípios deveriam apresentar uma contrapartida e, através dela, seria feito o cronograma de instalação dos centros. A contrapartida oferecida pela Prefeitura de Caxias do Sul foi tão ruim que colocou a cidade em penúltimo lugar no estado.

Na esfera estadual o descaso é ainda maior. A UERGS, criada pelo Governo Olívio Dutra, encontra-se hoje totalmente sucateada. Tanto os Governos Rigotto quanto o Yeda estão, passo a passo, apontando para o fechamento da universidade. A não contratação de professores, os cortes de verbas e a não realização de vestibulares está deixando a UERGS uma universidade sem alunos, logo, ela está definhando. Em Caxias do Sul a situação é ainda mais grave. Perdemos a possibilidade de ser sede regional para Bento Gonçalves por não haver estrutura adequada para tanto e a unidade da UERGS esteve ameaçada de despejo. Tudo isso, também, pela falta de contrapartidas do Governo Municipal. Além dos Governos Rigotto e Yeda não investirem na UERGS também pararam de abrir novas inscrições para o Crédito Educativo Estadual (criado pela Lei Estadual 10.713 de16/01/1996) prejudicando milhares de estudantes gaúchos.

Essa discussão aqui não teria sentido se não fosse o investimento que o Governo Federal vem fazendo na educação superior. Somente pelo ProUni são 2.119 (entre 2005 e 2007) vagas, totais ou parciais, abertas nas universidades de Caxias do Sul. É importante salientar que além de cobrir o custo total ou parcial dos estudos, o processo de seleção do ProUni é nacional, ou seja, fica mais protegido de interesses políticos no processo. Só as vagas do ProUni transformam o Governo Federal no terceiro, senão o segundo, maior fornecedor de vagas em nossa cidade. Podemos contar aqui também com o FIES que é uma possibilidade de financiamento, reembolsável, das mensalidades dos estudantes. Por último ainda temos o CEFET, que infelizmente será instalado somente em 2010 em nossa cidade.

Acredito ser impressindível 3 coisas para garantir a construção de uma instituição pública federal em Caxias do mesmo modo que defendo o fortalecimento da UERGS:

1 - Garantir que a contrapartida da Prefeitura, mesmo que pequena, se efetive e se possível que o cronograma seja alterado;

2 – Criar uma massa crítica “Pró-universidade Federal” para convencer a sociedade civil organizada da importância estratégica dela para nossa cidade;

3 – Desenvolver, se possível, parcerias com outras instituições públicas do RS para que se crie um embrião da futura universidade.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Só não podemos abortar o debate

No próximo dia 27 de Setembro a União Nacional de Estudantes, UNE, coloca na rua a campanha nacional "Aborto seguro e legal! Uma responsabilidade do Estado com a mulher". Podemos dizer que 2007 foi o ano em que esse debate mais ganhou repercussão no país. Iniciou com o Ministro da Saúde José Gomes Temporão defendeu que a prática do aborto é uma questão de saúde pública. O tema, com certeza, gera muita polêmica. Mas quais são as razões históricas por trás da proibição, ou não, do aborto? Quais as razões científicas e religiosas? Quando uma vida começa? Para isso eu convido você, caro leitor(a) para esse instante de reflexão.

O aborto ao longo da história

Um dos pais da Filosofia, Platão, em seu livro República defendeu a interrupção da gravidez em todas as mulheres que engravidassem após os 40 anos. Por trás dessa afirmação estava a concepção de que os casais deveriam gerar filhos para o Estado durante um determinado período. Portanto quando a mulher chegasse a uma idade avançada essa função cessava e a indicação era clara: o aborto.

As ideias de Platão perduraram por muitos séculos e chegaram a nortear a ciência da Roma Antiga, onde a interrupção da gravidez era ética e moralmente aceitável. Se alguém se opusesse ao aborto era o pai que não queria ser privado de um filho. A grande divergência estava no período em que isso poderia acontecer. Aristoteles definia o início da vida com o primeiro movimento que o feto fazia. Para ele isso acontecia no 40° dia para os meninos e no 90° dia para as meninas (pois é ele achava que as mulheres se desenvolviam mais lentamente). Como não havia como determinar o sexo do feto ele optou pela segurança e defendia que o feto só poderia ser abortado até o 40° dia de gestação.

A tese aristotélica influenciou o pensamento da igreja católica até 1588 quando o Papa Sixto V condenou a interrupção da gravidez. Seu sucessor Gregório XIV voltou atrás e determinou que o embrião não formado não pode ser considerado ser humano. Esse conceito perdurou até 1869 quando Pio IX propôs que cientistas e teológos definissem o começo da vida. Como não chegaram a um consenso o Papa, precavido, resolveu não arriscar e definiu a hipótese mais precoce, o encontro do espermatozóide com o óvulo. Portanto o conceito de vida da igreja católica hoje é baseado na precaução de Pio IX.


E para a ciência quando a vida começa?

Existem 5 respostas para essa pergunta:

  • Visão Genética: A vida começa quando o espermatozóide e o óvulo fundem-se criando um conjunto genético único. Essa é a opinião da Igreja Católica hoje.
  • Visão Embriológica: O começo da vida da-se na 3ª semana de gravidez, quando é estabelecida a individualidade humana. Isso porque até 12 dias após a fecundação o embrião é capaz de gerar dois ou mais indivíduos. Essa é a posição defendida por quem defende a pílula do dia seguinte.
  • Visão Neurológica: Defende o mesmo princípio para a determinação da morte, ou seja, a atividade cerebral. Essa data não é consensual. Uns defendem que é na 8ª semana onde o feto tem um circuito básico de neurônios que será a base do sistema nervoso, outros na 20ª semana que é quando a mãe sente os movimentos do feto.
  • Visão Ecológica: É a capacidade de sobreviver fora da útero materno. Isso é determinado pelo pleno funcionamento dos pulmões, o que acontece entre a 20° e 24° semana de gravidez. Esse é o limite que a Suprema Corte americana baseou-se para a autorização do aborto nos Estados Unidos.
  • Visão Metabólica: Defende que não existe um começo. O óvulo e os espermatozóides são tão vivos quanto uma pessoa (o que significaria que masturbação é genocídio). Defendem, também, que o desenvolvimento de uma criança é um processo contínuo e sem um marco inaugural.

Hoje a ciência é incapaz de determinar o início da vida. Inclusive existem divergência sobre o que é vida. Por exemplo, essa fotinho bonitinha aí do lado é o HIV (vírus que causa a AIDS). Ele tem cerca de 9 mil pares de genes. Não consegue viver fora de uma célula. Mas você duvida que ele esteja vivo? Bom aqui fica uma pergunta que é retórica. Por que quem está com AIDS acredita que esse monte de genes cercados por uma capa de proteína é bastante vivo.

Então podemos eliminar uma vida do planeta Terra por que ela está nos atingindo? Essa resposta já foi sim no caso da varíola, que foi o primeiro ser vivo extinto por decisão coletiva da humanidade. Bom não temos nenhuma dúvida, muito vindo pelo instinto de sobrevivência da espécie, de que é importante combatermos uma doença que é mortal (para nós humanos). Se olhassemos a nossa evolução, do ponto de vista ecológico, teríamos que ter uma ação muito drástica para a diminuição da população humana no planeta já que somos os maiores consumidores dos bens naturais. E o planeta, como já sabemos, mostra sinais claros de que não aguenta mais nossa presença aqui.

Ainda há um fator de deve ser observado. Cerca de 25% das gravidezes termina em aborto espontâneo e muitas vezes as futuras mães nem sabem disso. A Organização Mundial de Saúde, OMS, só considera tecnicamente aborto se o feto tiver, pelo menos, 500 gramas o que só é alcançado na 20° semana de gestação.


E o que dizem as religiões?
A religião mais radical contra o aborto é a católica. Para o Papa Bento XVI "negar o dom da vida, de suprimir ou manipular a vida que nasce é contrário ao amor humano", ou seja, o catolicismo condena, também, o uso de células tronco embrionárias (mesmo que as pesquisas possam salvar vidas no futuro) e não permite o uso de métodos anti concepcionais (a não ser o celibato). Praticar aborto é considerado crime passível de excomunhão. Entretanto a Igreja Católica não tem se demonstrado tão pró-vida em outras situações:
  • A Igreja defende a legitimidade da "guerra justa" em casos de tirania irremovível de outra forma (princípio do mal menor).
  • Em alguns países, aceita a pena de morte.
  • A Igreja patrocinou a Inquisição, com a eliminação física de pessoas tidas como hereges da fé.
  • Na colonização, a Igreja tolerou e participou do genocídio em relação aos índios, abençoou a escravidão dos negros que foram maltratados as vezes até a morte.
No Judaísmo "a vida começa apenas no 40° dia, quando acreditamos que o feto começa a adquirir forma humana". Essa afirmação é do rabino paulista Shamai. Desta forma o judaísmo permite pesquisas de células-tronco e o aborto quando a gravidez envolve risco de vida para mãe ou foi resultado de estupro.

O Islamismo considera o início da vida quando a alma é soprada por Alá no feto. Isso acontece cerca de 120 dias depois da fecundação.

Para o Budismo a vida é um processo ininterrupto. Ela está presente em todo o lugar. Existem correntes que defendem e outras que não defendem o aborto.

Já o Hinduísmo crê que a alma e a matéria se encontram na fecundação e é aí que começa a vida. Em geral opõem-se a gravidez.


O aborto pelo mundo
O mapa ao lado mostra o quadro dos países onde há legislação sobre o aborto. Nele podemos perceber que a grande parte dos países desenvolvidos tem o aborto legalizado. Os países mais pobres e subdesenvolvidos. Isso já diz muita coisa sobre a questão política do aborto. Quanto Marx e Engels escrevem "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado" eles colocam que a mudança de uma sociedade matriarcal para uma patriarcal dá-se quando se cria o conceito de propriedade privada. Ora desde a Roma Antiga, como falei no começo desse texto, o pai poderia opor-se ao aborto por ser seu direito possuir um filho (no caso masculino mesmo) pois a propriedade era repassada de pai para filho. Até hoje, na China, as família preferem o nascimento de filhos homens, pois assim não terão que pagar dote na hora do casamento. Essa tradição ocasiona muitos casos de infanticídios de meninas.

Abaixo veja as legendas do mapa ao lado:

█ Legal

██ Legal em caso de estupro, risco de vida da mãe, problemas de saúde física ou mental, fatores socioeconômicos e/ou defeitos do feto

██ Ilegal exceto em casos de estupro, risco de vida para a mãe, problemas de saúde física ou mental e/ou defeitos do feto

██ Ilegal exceto em caso de estupro, risco de vida para a mães e/ou problemas de saúde física ou mental

██ Ilegal exceto em casos de risco de vida para a mãe, problemas de saúde física e/ou mental

██ Ilegal sem exceções

██ Varia de cada região do país

██ Não há informações

Linhas verticais (várias cores): Ilegal mas tolerado

Questões sobre o aborto
O aborto é um fato. Isso é inegável. Pesquisas apontam que morrem cerca de 67 mil mulheres por ano vítimas de abortos clandestinos. No Brasil a média de morte materna é de 156 mulheres para cada 100 mil nascimentos. O aborto é considerado uma das principais causas de mortalidade materna. Cerca de 60% dos leitos de ginecologia no Brasil são ocupados por mulheres com sequelas de aborto.

O aborto não escolhe classe social. Mulheres com condições financeiras fazem aborto em clínicas, mesmo que clandestinas e com isso conseguem minimizar os riscos. Entrentanto para as mulheres pobres sobra apenas aborteiras, chás, agulhas de croché, etc.. o que muitas vezes traz como consequência infecções e até mesmo risco de vida.

Com a legalização o aborto irá aumentar. Isso não é verdade. Na Holanda onde o aborto é legalizado a incidência é de 0,5% em cada 100 mulheres, no Brasil é de 3,5% em cada 100 e isso é só uma projeção, o número pode ser maior.

Minha modesta conclusão
Esse é um dos assuntos que mais causa polêmica hoje no Brasil. Esconder a situação não está resolvendo o problema. Um dos pilares de nossa democracia é a separação do Estado e da Religião. Sob esse ponto de vista o aborto deve ser encarado sob o aspecto da sociologia, da saúde e da ciência.

O Estado deve ter um papel fundamental na definição das políticas de planejamento familiar, facilitar o acesso aos métodos contraceptivos às famílias de baixa renda e investirmos fortemente em educação sexual nas escolas para combater a gravidez na adolescência.

Mas o que, com certeza, não podemos fazer é abortar essa discussão. Esse é o pior crime.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Como um e-mail chega até você?

O Gmail pediu para seus usuários imaginarem qual o caminho que um e-mail percorre até chegar em seu computador. Era necessário, apenas, uma câmera de vídeo, um envelope com o "M" do Gmail e criatividade. E a galera foi realmente criativa. Abaixo é possível ver o vídeo colaborativo final.

Nessa página, é possível ver os mais de 1000 vídeos enviados por pessoas de todos os continentes. Para visualizar os vídeos por local entre aqui.


terça-feira, agosto 21, 2007

A Vale vale a pena?

Dia 22 de agosto será lançando o Comitê Pela Anulação do Leilão de Privatização da Vale do Rio Doce. Só o nome parece título de tese de doutorado. Mas retirando a grandiloquência do nome do Comitê ele tem alguma razão prática? Eu particularmente acho que não leva a nada.

Passaram-se 10 anos que a Vale foi privatizada. Que o governo FHC vendeu o patrimônio a preço de banana todo mundo sabe. Que a mineração é uma função estratégica do Estado. Que a privatização possuí uma séria de vícios de origem. Isso tudo é de conhecimento geral e não foi nada descoberto apenas em 2007. Então por que essa discussão só entrou na roda esse ano?

Todas as outras privatizações da era FHC foram um assalto ao patrimônio público. As Teles são o exemplo mais gritante. Inclusive há mais indícios de favorecimento na privatização de Embratel do que em todas as outras. E por que não existe uma campanha de reestatização das Companhias Telefônicas, dos bancos estatais privatização, das companhias de energia elétrica. Fico curioso para saber o por que a Vale é tão mais importante. Até sob o ponto de vista ecológico. Mineração é uma das atividades que mais agride o meio ambiente.

A Vale nem é a maior empresa brasileira. O primeiro lugar é a Petrobras, depois vem o Bradesco, Itaú e Banco do Brasil. Em quinto lugar aparece a Vale do Rio Doce, que ocupa o 359° colocação no ranking da Revista Fortune.

Mas vamos dizer que o movimento realmente fosse massivo e ganhasse os corações e mentes da população. É bom lembrar que não foi o plebiscito da Alca que enterrou a proposta de Livre Comérc io da Américas, foi a constatação que a ALCA é um péssimo negócio para todo mundo (menos para os Estados Unidos). O governo Lula realmente parou com as privatização, mas não há nenhum movimento que ele retome o patrimônio público entregue ao capital privado.

Saindo apenas da validade ou não do movimento dar uma conferida no plebiscito me deixa claro de quem elaborou isso não é sério. Uma das perguntas da cédula é:

Em 1997, a Companhia Vale do Rio Doce - patrimônio construído pelo povo brasileiro - foi fraudulentamente privatizada, ação que o Governo e o Poder Judiciário podem anular. A Vale deve continuar nas mãos do capital privado? (se você quiser votar on-line clique aqui - não esqueça que a resposta certa é não)


Se você precisa fazer uma pergunta que tem que induzir a pessoa em qual a resposta ela deve dar é que você não quer, realmente, a opinião das pessoas. É apenas jogo do cena. Lamentavelmente a massa crítica (não muita) dos dirigentes dos movimentos sociais devem achar que as suas bases não são lá muito inteligentes para poder decidir sozinho se a Vale deve ou não ficar nas mãos do capital privado.

Lamentavelmente um assunto tão importante como esse será usado para fazer contraponto aos ataques da direita (que são absolutamente absurdos), e um real movimento pela recuperação dos patrimônio público não existe de fato.

Estou louco de curioso para ler os comentários. Fiquem a vontade não há censura.